A Pink Flamingo, um espaço conhecido em Copacabana na cena LGBTQIA+ carioca, anunciou sua estreia no mercado de São Paulo em um endereço icônico: a avenida Faria Lima, coração do mercado financeiro do país. O novo espaço em São Paulo tem mais de 600 metros quadrados distribuídos em dois andares, sendo o primeiro duplo com mezanino e o segundo, um rooftop com teto retrátil. A expectativa é receber 400 pessoas por noite. A inauguração está marcada para 3 de junho, na semana da Parada do Orgulho LGBT+ de São Paulo. A casa vai funcionar de quarta-feira à domingo no número 2.776 da Faria Lima. A Pink Flamingo foi criada em 28 de março de 2019, mesma data do aniversário da cantora Lady Gaga (apenas uma coincidência), por Vinícius Toledo e Thiago Araujo. Desde então, o negócio não parou de crescer e hoje ocupa um espaço em Copacabana de 1.000 metros quadrados — terceiro endereço desde a fundação. A Pink é uma casa em que a música pop é destaque, disse Araujo. O espaço funciona como bar e balada de quarta-feira a domingo. Uma de suas marcas é a apresentação de drag queens. A festa foi responsável por levar ao Rio diversas participantes do RuPaul’s Drag Race, reality show americano que já ganhou dezenas de prêmios — entre eles 14 Emmys, em mais de 20 indicações para RuPaul Charles, conhecido profissionalmente apenas como RuPaul. Araujo contou que a ideia de abrir a Pink surgiu diante do seu trabalho como DJ. “Trabalhei na cena de Nova York desde 2015 e lá as baladas rolam nos bares. Não é uma boate”. O investimento foi bancado com recursos próprios dos sócios. “A gente não tinha dinheiro. Caso não desse certo no primeiro mês, a gente já fechava”, disse. A vinda a São Paulo sempre esteve nos planos da Pink. Hoje, São Paulo é a segunda cidade em volume de seguidores na página da festa no Instagram, atrás apenas do Rio — a terceira maior é Santiago, no Chile. Algumas edições com o selo da festa chegaram a ser realizadas na capital paulista. A pandemia, entretanto, acabou postergando os planos e quase fez o projeto desaparecer. “A pandemia foi um balde de água fria em todo mundo. Não somos um evento virtual. Temos espaço físico, com funcionários. Pagamos essa conta até hoje”, disse Araujo. A vida começou a melhorar com a volta dos eventos presenciais. “A virada para nós foi no show da Madonna [evento em Copacabana em comemoração ao aniversário do Itaú, que depois se transformou no Todo Mundo no Rio]. Foi quando começamos a sonhar de novo com São Paulo”, disse. Araujo apontou que a ida à Faria Lima não foi proposital. Antes, sua equipe havia fechado contrato de locação de outro espaço na região central de São Paulo. Pouco tempo depois, entretanto, o prédio foi vendido. Araujo disse que a Pink é, sobretudo, um espaço de acolhimento. “É lindo ver as mães indo para a balada com os filhos. A gente já foi marginalizado demais ao longo da história”, disse. A vinda a São Paulo é uma aposta no entretenimento ao vivo e nas festas. Cada vez mais, pesquisas apontam que os jovens têm reduzido o consumo de bebidas e idas a eventos noturnos em comparação com as gerações anteriores. “O novo sempre vem. Se a gente não se adapta ao novo, vamos ser mais do mesmo. A noite não morreu. Mas, se você vier com o óbvio, o projeto não vai acontecer”, disse Araujo. — Foto: Pexels