Cabe à CBF não prejudicar a seleção e nem os clubes Varela, Pulgar e Plata devem estar entre os jogadores do Flamengo convocados — Foto: Gilvan de Souza RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 23/05/2026 - 15:16 Clubes Brasileiros Criticam CBF por Calendário que Prejudica Jogos Durante Convocações A coluna aborda a tensão entre o calendário da CBF e as convocações para seleções, destacando a insatisfação de Flamengo e Palmeiras por jogarem desfalcados devido a convocações internacionais. A crítica se estende à CBF por não ajustar o calendário, prejudicando clubes e jogadores. O problema é global, refletido também na Liga dos Campeões, com clubes enfrentando desafios similares. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO Com Flamengo e Palmeiras se enfrentando no sábado à noite, precisei escrever esta coluna sem saber o resultado desse jogo com pinta de decisão do Brasileirão. Mas, embora repita sempre que jornalistas devem se ater a prever o passado (e mesmo assim correndo o risco de errar), abro aqui uma exceção: ambos terão saído de campo com uma reclamação em comum, a obrigação de disputar mais uma rodada, no próximo fim de semana, sem os jogadores convocados para as seleções brasileira, argentina, uruguaia, paraguaia, colombiana, equatoriana... Esqueci alguma? A queixa é justa. Praticamente isolados na ponta da tabela — a esta altura do campeonato, apenas com uma ameaça remota do Fluminense —, os primos ricos do futebol brasileiro não terão decidido o título antes da Copa do Mundo; mas, numa disputa tão intensa, uma rodada, mesmo tão longe da última, pode fazer muita diferença. No ano passado, o Flamengo goleou o Sport e o Palmeiras perdeu para o Santos numa situação parecida. Sim, ambos entraram em campo com reservas. Não, não foram só esses resultados que fizeram a diferença. Agora, não seria melhor para todo mundo que a principal competição do calendário nacional fosse sempre disputada com o que cada time pode pôr de melhor em campo? Antes de seguir tratando dos nossos problemas, cabe ressaltar que eles não existem só aqui. A final da Liga dos Campeões da Europa será disputada no sábado, também com todas as convocações e apresentações já feitas. E aí o número de seleções afetadas é tão grande que nem me arrisco a fazer a conta — na brasileira, os envolvidos são Marquinhos, Gabriel Magalhães e Gabriel Martinelli. Claro que, pelo peso da competição, todas permitem que seus jogadores cheguem depois. E com isso aceitam correr um risco enorme: uma decisão, ainda por cima uma das mais importantes do futebol mundial, tem um nível de disputa altíssimo que leva ao limite o desgaste e a possibilidade de lesões (bato na madeira enquanto escrevo, porque me dói muito saber de cortes de última hora). Jogar pelo clube convocado pela seleção certamente mexe com a cabeça do jogador — no imaginário do torcedor brasileiro, a consequência imediata seria “tirar o pé”, uma expressão de significado amplo (variando de acordo com o resultado dos jogos, como tudo no nosso futebol), que vai de evitar uma dividida mais dura até simplesmente não se esforçar. Num mundo ideal, uma das muitas reclamações de Abel Ferreira, técnico do Palmeiras, seria atendida: parar o calendário depois do anúncio das listas da Copa. Impossível, dirá quem cuida do calendário. No Brasil, isso significaria que o jogo de ontem não teria sido disputado. Da festa do Museu do Amanhã até o próximo fim de semana, terão sido duas rodadas do Brasileiro e duas de competições sul-americanas (estas últimas decidindo vaga na próxima fase). E cabe a pergunta de sempre: se os clubes já sabiam, por que só reclamaram agora? Um erro, porém, não justifica o outro. A CBF anunciou a tabela básica do Brasileirão no dia 15 de dezembro de 2025, já contando com um fim de semana de jogos sem os convocados; e no dia 6 de março de 2026 acrescentou o amistoso contra o Panamá. É a mesma entidade que cuida da seleção e do campeonato. Cabe a ela pensar numa sem prejudicar o outro.
O calendário é de todos
Cabe à CBF não prejudicar a seleção e nem os clubes
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