Para analistas ouvidos pelo Valor, as notícias sobre o envolvimento do candidato Flávio Bolsonaro com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro não provocam uma revolução no cenário, mas fragilizam a candidatura e aumentam os custos políticos, já que Flávio precisará provar agora que “não é tóxico se associar a ele”, como definiu a cientista política Lara Mesquita, da Fundação Getulio Vargas (FGV). A troca de Flávio como candidato, no entanto, é improvável neste momento, já que os percentuais do candidato ainda se mantém num nível alto. Na avaliação de Rafael Cortez, cientista político ligado à Tendências Consultoria, a troca de Flávio como candidato é improvável neste momento, porque poderia representar uma “confissão de culpa” e “enfraqueceria o projeto bolsonarista e do núcleo familiar [do ex-presidente] de se colocar como protagonista no campo antipetista”. No entanto, o candidato enfrenta um “teste de biografia”, já que sua identidade política ainda está atrelada ao pai. “Foi uma candidatura nascida de cima para baixo, não construída por consenso ou pela constatação de ser a mais viável. O vazamento só reforçou esse desafio”, afirma Cortez. Apesar de qualificar como grave uma turbulência que afetou tanto a opinião pública quanto os apoios políticos, Cortez diz que ela é insuficiente para “uma revolução” no cenário, sobretudo pela escassez de alternativas consistentes na oposição. “A avaliação do governo segue muito dividida, mas o Flávio ganhou uma dificuldade adicional para capitalizar o eleitor descontente.” Para a cientista política da FGV, o revés diminuiu o poder de barganha do PL nas negociações. Agora, Flávio precisa convencer que “não vai ser tóxico se associar a ele”, afirma Mesquita. “Esta agora é uma candidatura fragilizada. Não só por ele ter aparecido pedindo dinheiro, mas por todo o contexto, da mentira de dizer que não tinha dinheiro do Vorcaro [no filme], depois reconhecer que tinha. Gera uma dúvida de até onde se pode confiar no que o Flávio está falando”, diz. O custo do apoio deve subir, na avaliação de Mesquita, exigindo contrapartidas mais generosas, como repasse de recursos de campanha para partidos coligados. O PL também poderá ter que ceder espaços regionais, abrindo mão de candidaturas em nome do apoio nacional. Há ainda a chance, segundo ela, de que partidos evitem aderir formalmente à coligação, ainda que deem apoio informal mais adiante.
Após crise, Flávio Bolsonaro precisará provar que não é tóxico se associar a ele, diz cientista política
A troca de Flávio como candidato, no entanto, é improvável neste momento, já que os percentuais do candidato ainda se mantém num nível alto











