Recuperação de territórios permitiria a manutenção da produção agrícola em áreas afetadas pela perda de nutrientes e pela seca Projeto da Grande Muralha Verde prevê a construção de um corredor florestal com aproximadamente 8.000 quilômetros de extensão, partindo do Djibuti — Foto: Divulgação / UNCCD. RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 22/05/2026 - 20:29 "Grande Muralha Verde: Combate à Desertificação e Desafios no Sahel" A Grande Muralha Verde é um projeto ambiental que visa conter a desertificação do Saara e restaurar 100 milhões de hectares no Sahel, África. Lançado em 2007, busca criar uma faixa florestal de 8.000 km de Djibuti ao Senegal. Com investimentos de US$ 14 milhões, pretende capturar 250 milhões de toneladas de carbono e gerar 10 milhões de empregos até 2030, mas enfrenta desafios de corrupção e infraestrutura. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO A expansão do Deserto do Saara e a deterioração acelerada das terras férteis na África motivaram a criação da Grande Muralha Verde, um projeto ambiental que visa restaurar milhões de hectares degradados e conter o avanço da desertificação na região do Sahel. A iniciativa, lançada oficialmente em 2007, prevê a construção de uma faixa florestal com aproximadamente 8.000 quilômetros de extensão, que se estenderá do Djibuti, na África Oriental, até o Senegal, na costa oeste do continente. Principal objetivo: impedir que o Saara continue avançando para o sul Em 2021, durante a cúpula climática realizada em Paris, a União Europeia, o Banco Mundial e a União Africana anunciaram um investimento de 14 milhões de dólares para acelerar o desenvolvimento do projeto e expandir as plantações nos países participantes. A Grande Muralha Verde tem como objetivo restaurar 100 milhões de hectares degradados, capturar 250 milhões de toneladas de carbono e gerar 10 milhões de empregos verdes até 2030. A recuperação desses territórios permitiria a manutenção da produção agrícola em áreas afetadas pela perda de nutrientes e pela seca. Alguns dos recursos alocados ao programa foram afetados por problemas de corrupção — Foto: Divulgação / Nasa Objetivos ambientais e sociais do projeto Entre os objetivos definidos estão a recuperação de terras férteis, a criação de oportunidades econômicas para a população jovem e o fortalecimento da segurança alimentar em uma região onde milhões de pessoas enfrentam dificuldades de acesso a alimentos. O plano também visa melhorar a resiliência climática no Sahel, uma das regiões com aquecimento mais rápido do mundo. Dados das Nações Unidas indicam que as temperaturas nessa região aumentaram 1,5°C no último século, ultrapassando a média global. Segundo relatórios da ONU, a desertificação avança a uma taxa de 45 a 60 centímetros por ano na área que separa o Saara da savana africana. Essa situação aumenta o risco de deslocamentos populacionais em massa devido à perda de terras produtivas. Progresso parcial e estratégias locais A União Africana informou que aproximadamente 18% do projeto já foi concluído. Alguns países obtiveram progressos significativos por meio de estratégias de restauração ambiental. A Etiópia, por exemplo, recuperou 15 milhões de hectares protegendo e podando árvores que cresceram espontaneamente, além de combater a exploração madeireira ilegal. No Senegal, foram plantadas aproximadamente 12 milhões de árvores, enquanto a Nigéria conseguiu restaurar cinco milhões de hectares ao longo de sua fronteira norte. Essas ações ajudaram a conservar áreas agrícolas e a aumentar a produtividade do solo. Especialistas apontam que um único hectare de área florestal pode reter até 500 toneladas de dióxido de carbono e fornecer recursos suficientes para sustentar entre três e cinco famílias. Dificuldades e críticas do projeto Segundo uma reportagem da NPR, 18 anos após o início da iniciativa, os resultados obtidos continuam limitados em comparação com os objetivos originais. O meio de comunicação observou que alguns dos recursos alocados ao programa foram afetados por problemas de corrupção, instabilidade política e golpes de Estado em diversos países da região. Segundo dados das Nações Unidas, mais de 135 milhões de pessoas dependem atualmente de terras degradadas para o seu sustento. Ao mesmo tempo, a insegurança alimentar, os conflitos por recursos e a migração continuam a aumentar. Em diversas comunidades do Sahel, as plantações começaram a murchar devido à falta de infraestrutura e manutenção. A escassez de bombas d'água, sistemas de irrigação e assistência técnica dificultou a continuidade do trabalho em inúmeras áreas. O projeto acumulou um orçamento estimado em US$ 31 bilhões até o ano passado. No entanto, diversos relatórios afirmam que grande parte desse investimento ainda não se traduziu em resultados visíveis em larga escala.
'Grande Muralha Verde' busca conter avanço da desertificação do Saara; conheça projeto
Recuperação de territórios permitiria a manutenção da produção agrícola em áreas afetadas pela perda de nutrientes e pela seca













