Além de revogar a decisão que havia autorizado a extradição de Carla Zambelli (PL-SP), a Corte de Cassação da Itália, que equivale ao Supremo Tribunal Federal no país europeu, também determinou a libertação da ex-deputada nesta sexta-feira (22). A afirmação foi feita pelo advogado Fabio Pagnozzi, representante de Zambelli no Brasil, ao jornal O Globo. Leia mais: Segundo Pagnozzi informou ao jornal, Zambelli já foi liberada. Ele também disse ainda analisar os efeitos da libertação, para avaliar se a ex-deputada deve permanecer na Itália ou se poderia ir para outro país sem ser capturada pela Interpol, já que seu nome consta na lista de difusão vermelha. "A Corte Superior entendeu que a Carla Zambelli, apesar de ter sido condenada no Brasil, as condenações foram, além de desproporcionais em questões de pena, elas foram também lastreadas em provas muito fracas, principalmente na palavra de um hacker, que a própria Polícia Federal julga ser mentiroso", disse Pagnozzi ao O Globo. Os juízes da última instância da Justiça italiana julgaram, nesta sexta-feira, recursos apresentados pela ex-deputada contra a decisão da Corte de Apelação, do mês de março, que havia autorizado a extradição. As justificativas devem ser publicadas nos próximos dias. Zambelli estava presa na Itália desde julho de 2025. A ex-deputada tinha passaporte italiano e deixou o Brasil dias antes de se esgotarem os últimos recursos contra a sua condenação no caso envolvendo o Conselho Nacional de Justiça (CNJ). Ela foi detida pelas autoridades italianas sob o argumento de “risco de fuga”. Enquanto aguardava um desfecho do seu pedido de extradição, ficou no presídio de Rebibbia, em Roma. A ex-deputada do PL foi condenada a 10 anos e 8 meses de prisão pela invasão hacker ao sistema do CNJ. Junto do hacker Walter Delgatti, eles teriam tentando forjar mandados de prisão em nome do ministro do STF Alexandre de Moraes. A segunda condenação de Zambelli foi de cinco anos e três meses, por porte ilegal de arma de fogo e constrangimento ilegal, por ter perseguido um homem na rua apontando uma arma após ser provocada, às vésperas do segundo turno das eleições de 2022. Se a Justiça do país europeu tivesse efetivado a extradição, a ex-deputada seria trazida ao Brasil e ficaria presa na Colmeia, como é conhecida a Penitenciária Feminina do Distrito Federal. Segundo o o advogado Pieremilio Sammarco, que defende a ex-deputada na Itália, foram apresentados como argumentos contra a extradição supostos "vícios processuais" no julgamento feito pelo STF, as condições carcerárias no presídio no Brasil para onde ela iria e o estado de saúde de Zambelli. "Há várias contradições e omissões na sentença da Corte de Apelação, como o fato de não ter se pronunciado sobre a averiguação das condições da Colmeia, como o tamanho das celas e a existência de serviço sanitário adequado", disse o advogado, ao fim da audiência. (Com informações da Folhapress)