O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta sexta-feira (22) que, se o Congresso aprovar a PEC da Segurança Pública, anunciará em até 15 dias a criação do novo ministério dedicado ao tema. Ao defender a proposta, Lula fez um apelo direto ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP): “Coloque a PEC para votar”. Leia mais: Na entrevista ao programa Sem Censura, da EBC, o presidente disse que o governo federal decidiu “entrar pra valer” no enfrentamento ao crime organizado. Segundo ele, a segurança pública ficou concentrada nos Estados a partir da Constituinte “por causa dos generais”, mas o modelo atual, em sua avaliação, não tem sido suficiente para enfrentar facções e organizações criminosas. “Não posso aceitar a ideia de os bandidos ocuparem o território”, afirmou Lula. Ele disse que o governo já aprovou um projeto contra as facções, apresentou uma lei contra o crime organizado e quer ampliar a coordenação federal na área. O presidente também reconheceu que a população tem motivos para sentir medo. “O povo tem razão de ter desconfiança e estar amedrontado”, disse. Para Lula, os Estados “não dão conta de combater a criminalidade”, seja porque, segundo ele, alguns governos não tratam o tema com a devida prioridade, seja porque o sistema permite que criminosos presos pela Polícia Militar sejam soltos pouco tempo depois. Lula afirmou ainda que há resistência de governadores à PEC porque a segurança pública representa uma área sensível de poder nos Estados. “Alguns governadores não querem que aprove a PEC porque não querem que a gente se meta”, disse. “A polícia é um pedaço de poder que nenhum governador quer abrir mão.” O presidente citou também a previsão de R$ 11 bilhões para a área, sendo R$ 1 bilhão em recursos do governo federal e R$ 10 bilhões em financiamento para Estados e municípios. Segurança está entre principais preocupações dos brasileiros O Datafolha divulgou, nesta semana, um levantamento sobre a imagem dos pré-candidatos à Presidência da República. Segundo a pesquisa, no quesito sobre quem estaria mais preparado para combater a violência, o senador Flávio Bolsonaro (PL) supera Lula por 33% a 29%. O resultado representa um empate técnico entre dos dois, levando em conta a margem de erro da pesquisa. A segurança está entre as principais preocupações dos brasileiros e é bandeira de políticos de direita, onde bolsonaristas têm forte capacidade de mobilização. Para tentar fazer frente, o governo Lula propôs e conseguiu aprovar, neste ano, a PEC da Segurança Pública na Câmara. O texto, no entanto, ainda depende de aprovação no Senado. Na semana passada, além disso, a gestão petista lançou o programa Brasil contra o Crime Organizado, com investimento de R$ 11 bilhões.