México e União Europeia devem assinar nesta sexta-feira (22) um acordo de livre comércio negociado há anos. O movimento acontece enquanto o país latino-americano e o bloco europeu buscam reduzir a dependência dos Estados Unidos e se proteger parcialmente das tarifas impostas pelo presidente americano Donald Trump. O acordo, cuja base foi acertada em 2025, mas a assinatura vinha sendo adiada, amplia um pacto comercial entre México e UE firmado em 2000, que abrangia apenas bens industriais. O novo tratado inclui serviços, compras governamentais, comércio digital, investimentos e produtos agrícolas. A presidente do México, Claudia Sheinbaum, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, e o presidente do Conselho Europeu, António Costa, devem assinar o acordo na Cidade do México, na primeira cúpula entre as partes em mais de uma década. A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen — Foto: REUTERS/Yves Herman “Esta cúpula significa mais do que comércio; é uma declaração geopolítica”, afirmou na quinta-feira, na Cidade do México, a chefe da diplomacia europeia, Kaja Kallas. Os dois lados buscam diversificar suas exportações e reduzir a dependência do mercado americano. A UE foi atingida pelas amplas tarifas do chamado “Dia da Libertação”, anunciado por Trump em abril de 2025, e preparou medidas de retaliação, posteriormente suspensas enquanto as partes buscavam negociações. Embora as tensões tenham diminuído parcialmente após uma trégua tarifária e um acordo firmado em julho, as tarifas americanas sobre exportações europeias continuam elevadas. O México também foi atingido por tarifas pesadas dos EUA sobre exportações de automóveis, aço e alumínio, e as relações comerciais entre os dois países permaneceram voláteis durante o segundo mandato de Trump. O Ministério da Economia mexicano estima que o novo acordo possa elevar as exportações do país para a UE de cerca de US$ 24 bilhões por ano para US$ 36 bilhões até 2030. A União Europeia exporta atualmente cerca de US$ 65 bilhões em bens por ano ao México. O comércio entre México e UE cresceu 75% em uma década, impulsionado principalmente por equipamentos de transporte, máquinas, produtos químicos, combustíveis e mineração. O novo acordo prevê acesso livre de tarifas para quase todos os produtos, incluindo itens agrícolas como frango e aspargos mexicanos, além de leite em pó, queijo e carne suína europeus, embora com algumas cotas. Apesar de pronto há mais de um ano, o tratado demorou a ser assinado. A UE priorizou o acordo comercial com o Mercosul e concluiu negociações de livre comércio com Indonésia, Índia e Austrália nos últimos oito meses. O México, por sua vez, vinha adotando cautela para evitar medidas que pudessem irritar o governo Trump durante as negociações sensíveis para renovar o acordo comercial entre EUA, México e Canadá. Atualmente, mais de 80% das exportações mexicanas têm os EUA como destino. Na UE, o acordo comercial ainda será votado pelo Parlamento Europeu, que deve aprová-lo nos próximos meses.