Milhares de cubanos se reuniram na manhã desta sexta-feira (22) diante da embaixada dos Estados Unidos em Havana para protestar contra a decisão americana de indiciar o ex-presidente da ilha caribenha, Raúl Castro, pela derrubada de dois aviões civis há 30 anos. A manifestação pró-governo, iniciada pouco depois do amanhecer na orla de Havana, ocorre em meio à mobilização de autoridades cubanas nesta semana em defesa do histórico líder revolucionário e enquanto aumentam as tensões com os Estados Unidos. O ex-presidente, de 94 anos, não participou do ato. O deputado cubano Gerardo Hernández, considerado herói nacional e ex-espião, transmitiu uma mensagem agradecendo ao povo cubano e aos apoiadores ao redor do mundo pela solidariedade. “Enquanto eu viver, permanecerei na linha de frente da Revolução, com um pé no estribo”, afirmou Hernández, citando Raúl Castro. Milhares de cubanos agitavam bandeiras durante o ato, que durou quase uma hora à beira-mar, a apenas145 quilômetros das costas americanas, entoando palavras de ordem como “Viva Raúl!” e “Pátria ou Morte!”. O presidente do país sul-americano, Miguel Díaz-Canel, e o primeiro-ministro, Manuel Marrero, participaram da manifestação, assim como vários familiares de Castro, incluindo a filha Mariela Castro, o filho Alejandro Castro e o neto Raúl Rodríguez Castro. O presidente cubano Miguel Díaz-Canel participa de um comício do governo convocado pelas autoridades cubanas para protestar contra as políticas dos EUA em relação à ilha, incluindo a acusação formal do ex-presidente, em Havana , Cuba, em 22 de maio de 2026 — Foto: REUTERS/Norlys Perez Rodríguez Castro, conhecido em Cuba como “Raulito” ou “El Cangrejo”, frequentemente atua como guarda-costas do avô e se reuniu na semana passada com o diretor da CIA, John Ratcliffe, durante uma rara visita de um chefe da espionagem americana a Havana. Raúl Castro foi indiciado após um tribunal federal em Miami acusá-lo de conspiração para matar cidadãos dos EUA em 1996. Foram apresentadas quatro acusações de homicídio e duas de destruição de aeronaves, mostram registros judiciais. Outras cinco pessoas também são citadas como réus no caso. Os aviões abatidos eram parte de uma flotilha promovida por exilados cubanos de Miami que pretendiam lançar na ilha panfletos contra o governo comunista. Raúl Castro era ministro da Defesa na época, o que o tornava a mais alta autoridade do país depois de seu irmão Fidel Castro. Cuba, por outro lado, afirma que a acusação formal apresentada contra Castro por homicídio na quarta-feira se baseia em alegações “espúrias”, destinadas a servir de pretexto para uma invasão, enquanto o governo do presidente Donald Trump busca derrubar o regime da ilha.