O secretário interino da Marinha dos EUA, Hung Cao, afirmou na quinta-feira (21) que as vendas de armas americanas para Taiwan foram “pausadas” para garantir que os militares do país tenham munições suficientes para suas operações no Irã. A declaração representa o mais recente revés para Taipé após uma série de declarações controversas de Donald Trump em uma visita a Pequim na semana passada. “No momento, estamos fazendo uma pausa [sobre um pacote de armas de US$ 14 bilhões que aguarda há meses a aprovação de Trump] para garantir que temos as munições necessárias para a [Operação] Fúria Épica [a guerra contra o Irã] — e temos bastante”, disse Hung durante audiência no Subcomitê de Defesa de Apropriações do Senado. “Estamos apenas garantindo que temos tudo de que precisamos; depois, as vendas militares ao exterior continuarão quando o governo considerar necessário”, prosseguiu. Quando o senador Mitch McConnell perguntou se esperava que as vendas a Taiwan fossem eventualmente aprovadas, Hung respondeu que a decisão caberia ao secretário de Estado americano, Marco Rubio, e ao chefe do Pentágono, Pete Hegseth. O anúncio é visto como negativo para Taiwan, uma vez que Pequim afirma repetidamente que “se opõe firmemente” às vendas de armas dos EUA para a ilha democrática, que considera uma província separatista. Nesta sexta-feira (22), o governo de Taiwan disse que não recebeu qualquer informação sobre atrasos nas vendas de armas dos Estados Unidos. A porta-voz do gabinete presidencial de Taiwan, Karen Kuo, afirmou, por outro lado, que o governo tomou conhecimento das declarações de Hung. O Ministério da Defesa de Taiwan afirmou também não ter recebido qualquer notificação sobre atrasos nas vendas de armas. O ministério segue “monitorando a política de cooperação em segurança dos EUA” e mantendo estreita coordenação e comunicação com Washington para garantir que as vendas prossigam conforme o planejado, afirmou a pasta em comunicado. Durante a visita de Trump na semana passada, Xi Jinping alertou que EUA e China “entrarão em colisão ou até em conflito” caso a questão de Taiwan “não seja tratada adequadamente”. Após uma cúpula com o líder chinês, Trump havia adiantado que ainda estava indeciso sobre aprovar a venda do novo pacote de armas a Taipé. Xi alerta Trump sobre questão de Taiwan — Foto: Mark Schiefelbein/AP Washington mantém uma posição ambígua sobre defender ou não Taiwan em caso de invasão. Pela Lei de Relações com Taiwan, em vigor há décadas, entretanto, os EUA têm o compromisso de fornecer à ilha meios suficientes para sua defesa. Nesta semana, o presidente americano afirmou que pretende conversar com o seu homólogo taiwanês, Lai Ching-te. O movimento certamente provocaria uma reação dura de Pequim. Nenhum presidente americano em exercício fala diretamente com o líder de Taiwan desde 1979, quando Washington transferiu o reconhecimento diplomático de Taipé para Pequim. Trump, porém, falou com a então presidente taiwanesa Tsai Ing-wen no fim de 2016.