A informação sobre a transferência foi confirmada pelo secretário da Segurança Pública, Nico Gonçalves. Ela deixou a Penitenciária Feminina de Santana, na Zona Norte de São Paulo, por volta das 5h, onde passou a noite após ser presa em casa em Alphaville, em Barueri, durante uma operação do Ministério Público e da Polícia Civil que investiga um esquema de lavagem de dinheiro ligado ao Primeiro Comando da Capital (PCC). A previsão é que ela chegue em Tupi por volta das 12h. Segundo a investigação, a advogada é apontada como integrante da facção e teria papel central na estrutura financeira do grupo criminoso. O inquérito afirma que contas ligadas a ela eram usadas para movimentar recursos do PCC e dificultar o rastreamento do dinheiro. Ao sair da sede da Polícia Civil, no Centro de São Paulo, antes de ser transferida para a penitenciária, Deolane disse que “a Justiça vai ser feita”. A audiência de custódia ocorreu na tarde de quinta (21), e a Justiça manteve a prisão preventiva da influenciadora. Prisão em Santana Deolane passou a noite em uma unidade superlotada localizada a menos de 500 metros do terreno onde funcionava o antigo Complexo Penitenciário do Carandiru, palco do massacre que deixou 111 mortos em 1992. A Penitenciária Feminina de Santana tem capacidade para 2.686 detentas, mas abriga atualmente 2.825 mulheres, segundo dados da Secretaria da Administração Penitenciária (SAP) atualizados na quarta (20). O presídio foi inaugurado em 8 de dezembro de 2005 e tem 108 mil metros quadrados de área construída. A unidade funciona em regime fechado e é considerada a maior penitenciária feminina do estado de São Paulo em número de vagas. A penitenciária em Santana tem 1627 presas a mais do que a segunda penitenciária mais populosa do estado, que é a de Mogi Guaçu, que tem 1198 mulheres cumprindo pena em regime fechado. A penitenciária está localizada na Avenida General Ataliba Leonel, no Carandiru, bairro historicamente marcado pela presença do antigo complexo penitenciário que ocupava uma extensa área da Zona Norte da capital. Parte do terreno hoje abriga o Parque da Juventude. O Complexo do Carandiru foi demolido após o massacre de 2 de outubro de 1992, quando policiais militares invadiram o Pavilhão 9 para conter uma rebelião. A ação terminou com 111 presos mortos e se tornou um dos episódios mais emblemáticos da história do sistema prisional brasileiro. A prisão de Deolane ocorre em meio a uma investigação que aponta a existência de um esquema bilionário de lavagem de dinheiro. Segundo a polícia, a influenciadora usaria sua estrutura financeira e sua projeção pública para dar aparência de legalidade a recursos ilícitos. Ainda de acordo com o inquérito, o dinheiro atribuído ao PCC era misturado a recursos de outras atividades antes de retornar à facção. Os investigadores afirmam que o lucro do esquema era incorporado à economia formal por meio da compra de bens de alto valor em nome de empresas ligadas à advogada, como uma Ferrari SF90 Stradale avaliada em R$ 4,7 milhões e um Porsche 911 Carrera. Penitenciárias femininas no estado de SP Penitenciária Feminina Sant’Ana (São Paulo) Capacidade: 2.686Quantidade de presas: 2.825Superlotação? SimÁrea construída: 108 mil m²Inauguração: 08/12/2005 Penitenciária Feminina Mogi Guaçu (Mogi Guaçu) Capacidade: 739Quantidade de presas: 1.198Superlotação? SimÁrea construída: 18,9 mil m²Inauguração: 25/05/2015 Penitenciária Feminina “Oscar Garcia Machado” (Votorantim) Capacidade: 732Quantidade de presas: 972Superlotação? SimÁrea construída: 17 mil m²Inauguração: 20/03/2017 Penitenciária Feminina II de Tremembé (Tremembé) Capacidade: 722Quantidade de presas: 645Superlotação? NãoInauguração: 11/04/2011 Penitenciária Feminina “Sandra Aparecida Lario Vianna” (Pirajuí) Capacidade: 714Quantidade de presas: 822Superlotação? SimÁrea construída: 17,2 mil m²Inauguração: 13/07/2012 Penitenciária Feminina de Tupi Paulista (Tupi Paulista) Capacidade: 714Quantidade de presas: 873Superlotação? SimÁrea construída: 19,1 mil m²Inauguração: 16/08/2011 Penitenciária Feminina de Campinas (Campinas) Capacidade: 556Quantidade de presas: 551Superlotação? NãoInauguração: 01/03/1993 Penitenciária Feminina I “Santa Maria Eufrásia Pelletier” (Tremembé) Capacidade: 373Quantidade de presas: 504Superlotação? SimÁrea construída: 5 mil m²Inauguração: 18/01/1978 Penitenciária Feminina de Ribeirão Preto (Ribeirão Preto) Capacidade: 295Quantidade de presas: 318Superlotação? SimÁrea construída: 2,5 mil m²Inauguração: 15/08/2000 "Justiça será feita", diz Deolane Bezerra em saída de delegacia em SP após 2ª prisão Troca de bilhetes em presídio deu origem à investigação Em 2021, a Operação Lado a Lado apreendeu o celular de Ciro Cesar Lemos, apontado como operador central do esquema. O conteúdo do aparelho revelou detalhes sobre o esquema de lavagem de dinheiro pela transportadora e revelou conexões financeiras com a influenciadora. A influenciadora e advogada Deolane Bezerra chega ao DHPP, na região central de São Paulo, nesta quinta-feira (21). — Foto: Leco Viana/The News 2/Estadão Conteúdo Segundo a polícia, imagens encontradas no aparelho mostram depósitos para contas de Deolane e de Everton. "O vínculo dela com a transportadora foi o pontapé inicial para a investigação, mas com afastamento de sigilos bancário e fiscal, verificamos que ela mantém relação com outras vertentes do crime organizado", declarou o delegado Edmar Caparroz durante entrevista coletiva. Deolane Bezerra como recebedora de dinheiro do PCC A investigação fez cruzamentos de provas apreendidas nos últimos anos com relatórios de movimentação em contas físicas e jurídicas em nome da influenciadora Deolane Bezerra para identificá-la como recebedora de dinheiro proveniente do PCC. Parte das movimentações ocorrem em depósitos em espécie, partindo do caixa do PCC por meio da transportadora de cargas, e ordenados pela cúpula da facção, segundo a investigação. LEIA TAMBÉM: Entre 2018 e 2021, Deolane recebeu em sua conta física R$ 1.067.505,00 em depósitos fracionados abaixo de R$ 10 mil, técnica conhecida como smurfing). Segundo a polícia, o intermediador era Everton de Souza, que indicava a conta de Deolane para “fechamentos” mensais. Outro fato que aparece na investigação são quase 50 depósitos feitos a duas empresas de Deolane Bezerra, no valor total de R$ 716 mil, por uma empresa que se apresenta como banco de crédito e que tem como responsável um homem moradora da Bahia que recebe em torno de um salário mínimo ao mês. Quem é Deolane, influencer e advogada presa por suspeita de elo com o PCC A análise das contas a débito, tanto de Deolane quanto da empresa dela, mostram que não foi identificado nenhum pagamento relacionado a esses tais créditos, o que é apontado pela investigação como um indício de ocultação e/ou dissimulação de recursos do PCC. Também não foram identificadas prestações de serviço como advogada que justificassem os valores repassados para as contas da influenciadora e de suas empresas. Deolane Bezerra passou as últimas semanas em Roma, na Itália. O nome dela chegou a ser incluído na lista da Difusão Vermelha da Interpol, mas ela retornou ao Brasil na quarta-feira (20).