Não há um único município fluminense entre os 200 primeiros classificados no país Parque Nacional do Itatiaia, em Resende (RJ), com trechos cobertos de gelo е riachos congelados — Foto: Márcia Foletto / Agência O Globo RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 21/05/2026 - 20:43 Municípios do RJ Ficam Fora do Top 200 em Qualidade de Vida no IPS 2026 O Índice de Progresso Social (IPS) de 2026 revela que nenhum município do Rio de Janeiro está entre os 200 melhores do Brasil em qualidade de vida. Resende lidera no estado com 67,54 pontos, enquanto São Francisco do Itabapoana está na última posição com 51,61 pontos. O diretor do IPS, Beto Veríssimo, destaca que o estado enfrenta desafios políticos que impactam a gestão pública e a qualidade dos serviços. A pesquisa reflete desigualdades e dificuldades na conversão de recursos econômicos em progresso social. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO Com 67,54 pontos, Resende é o município fluminense com maior Índice de Progresso Social (IPS). O IPS Brasil de 2026 foi divulgado esta semana pelo Imazon (Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia) e parceiros. Lanterninha no ranking do Estado do Rio, São Francisco do Itabapoana, no extremo Norte, é o 5.424º colocado entre os 5.570 municípios brasileiros. O estado não tem uma única cidade entre as 200 com melhor qualidade de vida do Brasil, segundo o IPS. A capital fluminense alcançou 67 e é a segunda melhor classificada no estado. As outras três são Nova Friburgo (66,91 pontos); Teresópolis (66,87); e Niterói (66,78). As cinco piores colocadas no estado são: São Francisco de Itabapoana (51,61 pontos); Japeri (54,33); Carapebus (55,28); Sumidouro (55,74); e Itaboraí (56,8). A posição dos municípios fluminenses no IPS do Brasil — Foto: Editoria de Arte Entre as capitais, a do Rio está em 11º lugar. Curitiba, a primeira colocada, alcançou 71,29 pontos, sendo seguida por Brasília (70,73), São Paulo (70,64), Campo Grande (69,77) e Belo Horizonte (69,66). Ranking das capitais — Foto: Editoria de Arte Em relação ao universo das cidades de grande e médio porte, a situação do estado também não é nada confortável. O Rio tem 29 entre os 338 municípios com mais de cem mil habitantes. Resende está em 66º lugar nesse ranking, e a capital, em 84º. Diretor do IPS Brasil, Beto Veríssimo analisa que o Rio, pelo Produto Interno Bruto (PIB) que possui e pelos royalties de petróleo que recebe, deveria ter uma posição melhor em progresso social. — O Estado do Rio tem vivido uma instabilidade política muito grande pelo menos nos últimos 20 anos. Acho que o IPS pode refletir essa instabilidade política. O IPS é uma fotografia da condição da gestão pública. No fundo, estamos medindo a qualidade dos serviços públicos que são prestados pelas prefeituras e pelos estados, e também as políticas federais que chegam a estados e municípios — explica Veríssimo. — Veja o estado da Paraíba, que é relativamente pobre e vem tendo um desempenho bom no IPS. O Rio de Janeiro tem dinheiro, tem um bom PIB, deveria estar melhor. O geógrafo Hugo Costa, que também avaliou os dados, destaca que a própria capital fluminense ficou atrás de outras cidades com mais de cem mil habitantes bem menores, como Uberlândia (16ª) e Uberaba (78ª), ambas em Minas Gerais; e de Campina Grande (38ª), na Paraíba. — O Rio já foi capital do Império e da República. Não se pode transformar proeminência econômica e política em proeminência social. O Rio sempre foi exemplo de desigualdade social — diz Costa. — Santos é uma cidade que, como o Rio, tem um porto, e está na 29ª entre as grandes e médias. O IPS é medido a partir de 57 indicadores sociais e ambientais, com dados de fontes públicas, como DataSUS, IBGE, Inep e MapBiomas. Entre os indicadores estão os de água e saneamento, moradia, segurança pessoal e acesso ao conhecimento básico. Cada cidade recebe uma nota de 0 a 100, e a média do Brasil em 2026 ficou em 63,40 pontos, com alta discreta em relação a 2025 (63,05) e a 2024 (62,85). Primeira colocada no Rio, Resende tem um dos maiores polos industriais no Sul Fluminense, com destaque nos setores automotivo, metalúrgico e químico-farmacêutico. O município abriga parte do Parque Nacional de Itatiaia, famoso pelo ecoturismo. — De alguma maneira, Resende está conseguindo converter isso em qualidade de vida — afirma Beto Veríssimo. Caxias X São Bernardo do Campo O pesquisador cita ainda a diferença de IPS entre cidades com população e PIB semelhante, como Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, São Bernardo do Campo (SP) e Uberlância (MG). Enquanto Caxias obteve IPS de 57,87 pontos, São Bernardo do Campo alcançou 69,92 e Uberlândia (69,73). — São três municípios com PIB parecido, população parecida, mas têm resultados de gestão pública muito diferentes — acentua ele. — Veja outros exemplos de municípios que recebem royalties de petróleo, com muito PIB per capita, como Maricá (60,71 pontos de IPS) e Saquarema (59,8). Eles não conseguem converter esse PIB per capita, esse royalty, em qualidade de vida. Hugo Costa explica que, em relação à capital fluminense e a Baixada, o IPS foi puxado para trás sobretudo por conta de questões relativas à qualidade do meio Ambiente, à moradia e à educação ensino médio. — Em relação ao município do Rio, o que se observa é que as benesses do turismo não têm chegado à população. O turismo tem que ser consequência e não a causa do desenvolvimento — afirma.
Qualidade de vida: veja as cidades melhores e as piores colocadas do Estado do Rio no Índice de Progresso Social
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