Dos municípios fluminenses, Resende é o primeiro colocado; São Francisco do Itabapoana é o lanterninha Parque Nacional do Itatiaia, em Resende (RJ), com trechos cobertos de gelo е riachos congelados — Foto: Márcia Foletto / Agência O Globo RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 21/05/2026 - 20:41 Rio de Janeiro fica fora das 200 melhores cidades em qualidade de vida no Brasil, segundo IPS O Estado do Rio não possui nenhuma cidade entre as 200 melhores em qualidade de vida no Brasil, segundo o Índice de Progresso Social (IPS). Resende lidera entre os municípios fluminenses na 249ª posição. O diretor do IPS, Beto Veríssimo, aponta que, apesar do PIB e dos royalties de petróleo, o Rio deveria ter um desempenho melhor, refletindo a instabilidade política e a qualidade dos serviços públicos. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO O Estado do Rio não tem uma única cidade entre as 200 com melhor qualidade de vida do Brasil, segundo o Índice de Progresso Social (IPS) Brasil, divulgado esta semana pelo Imazon (Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia) e parceiros. Na 249ª posição, Resende está em primeiro lugar entre os municípios fluminenses e na frente da capital, que é a segunda colocada. Lanterninha no ranking do estado, São Francisco do Itabapoana, no extremo Norte, é o 5.424º entre os 5.570 municípios brasileiros. Em relação ao universo das cidades de grande e médio porte, a situação do estado também não é nada confortável. O Rio tem 29 entre os 338 municípios com mais de cem mil habitantes. Resende está em 66º lugar nesse ranking, e a capital, em 84º. Diretor do IPS Brasil, Beto Veríssimo analisa que o Rio, pelo Produto Interno Bruto (PIB) que possui e pelos royalties de petróleo que recebe, deveria teria uma posição melhor em progresso social. — O Estado do Rio tem vivido uma instabilidade política muito grande pelo menos nos últimos 20 anos. Acho que o IPS pode refletir essa instabilidade política. O IPS é uma fotografia da condição da gestão pública. No fundo, estamos medindo a qualidade dos serviços públicos que são prestados pelas prefeituras e pelos estados, e também as políticas federais que chegam a estados e municípios — explica Veríssimo. — Veja o estado da Paraíba, que é relativamente pobre e vem tendo um desempenho bom no IPS. O Rio de Janeiro tem dinheiro, tem um bom PIB, deveria estar melhor. O geógrafo Hugo Costa, que também avaliou os dados, destaca que a própria capital fluminense ficou atrás de outras cidades com mais de cem mil habitantes bem menores, como Uberlândia (16ª) e Uberaba (78ª), ambas em Minas Gerais; e de Campina Grande (38ª), na Paraíba. — O Rio já foi capital do Império e da República. Não se pode transformar proeminência econômica e política em proeminência social. O Rio sempre foi exemplo de desigualdade social — diz Costa. — Santos é uma cidade que, como o Rio, tem um porto, e está na 29ª entre as grandes e médias. A posição dos municípios fluminenses no IPS do Brasil — Foto: Editoria de Arte O IPS é medido a partir de 57 indicadores sociais e ambientais, com dados de fontes públicas, como DataSUS, IBGE, Inep e MapBiomas. Entre os indicadores estão os de água e saneamento, moradia, segurança pessoal e acesso ao conhecimento básico. Cada cidade recebe uma nota de 0 a 100, e a média do Brasil em 2026 ficou em 63,40 pontos, com alta discreta em relação a 2025 (63,05) e a 2024 (62,85). Nilópolis: a mais bem colocada da Baixada No Estado do Rio, Resende obteve 67,54 pontos, enquanto a capital fluminense alcançou 67. As outras três melhor classificadas no estado são Nova Friburgo (66,91 pontos); Teresópolis (66,87); e Niterói (66,78). Nilópolis é a mais bem colocada da Baixada Fluminense (65,79). As cinco piores classificadas no estado São Francisco de Itabapoana (51,61 pontos), Japeri (54,33), Carapebus (55,28), Sumidouro (55,74) e Itaboraí (56,8). Entre as capitais, a do Rio está em 11º lugar. Curitiba, a primeira colocada, alcançou 71,29 pontos, sendo seguida por Brasília (70,73), São Paulo (70,64), Campo Grande (69,77) e Belo Horizonte (69,66). Ranking das capitais — Foto: Editoria de Arte Primeira colocada no Rio, Resende tem um dos maiores polos industriais no Sul Fluminense, com destaque nos setores automotivo, metalúrgico e químico-farmacêutico. O município abriga parte do Parque Nacional de Itatiaia, famoso pelo ecoturismo. — De alguma maneira, Resende está conseguindo converter isso em qualidade de vida — afirma Beto Veríssimo. Caxias X São Bernardo do Campo O pesquisador cita ainda a diferença de IPS entre cidades com população e PIB semelhante, como Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, São Bernardo do Campo (SP) e Uberlância (MG). Enquanto Caxias obteve IPS de 57,87 pontos, São Bernardo do Campo alcançou 69,92 e Uberlândia (69,73). — São três municípios com PIB parecido, população parecida, mas têm resultados de gestão pública muito diferentes — acentua ele. — Veja outros exemplos de municípios que recebem royalties de petróleo, com muito PIB per capita, como Maricá (60,71 pontos de IPS) e Saquarema (59,8). Eles não conseguem converter esse PIB per capita, esse royalty, em qualidade de vida. Hugo Costa explica que, em relação à capital fluminense e a Baixada, o IPS foi puxado para trás sobretudo por conta de questões relativas à qualidade do meio Ambiente, à moradia e à educação ensino médio. — Em relação ao município do Rio, o que se observa é que as benesses do turismo não têm chegado à população. O turismo tem que ser consequência e não a causa do desenvolvimento — afirma.
Índice de Progresso Social: Estado do Rio não tem uma única cidade entre as 200 com melhor qualidade de vida do país
Dos municípios fluminenses, Resende é o primeiro colocado; São Francisco do Itabapoana é o lanterninha











