Newsletter semanal do jornalista Thiago Prado mostra como Universal mudou postura histórica contra o PT em meio à crise do Digimais; e recomenda cinebiografia do rei do pop O bispo Edir Macedo, da Igreja Universal do Reino de Deus — Foto: Reprodução / Facebook RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 21/05/2026 - 20:56 Igreja Universal: Mudança de Postura com PT em Meio a Crise Bancária A newsletter "Jogo Político" de Thiago Prado destaca a mudança de postura da Igreja Universal em relação ao PT devido à crise no banco Digimais, controlado por Edir Macedo, que enfrenta um rombo de R$ 8,5 bilhões. A Universal busca manter boas relações com o governo enquanto negocia a venda do banco para o BTG Pactual. Recomenda-se ainda a cinebiografia de Michael Jackson, elogiada pelas performances musicais, porém criticada por omitir polêmicas da vida do artista. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO Este conteúdo faz parte da newsletter Jogo Político, de Thiago Prado, editor de Política e Brasil do GLOBO. Inscreva-se e receba todas as quintas-feiras diretamente no seu e-mail. O Republicanos ainda não decidiu quem vai apoiar para presidente esse ano porque há um assunto mais importante para o partido controlado pela Igreja Universal do Reino de Deus resolver que nada tem a ver com palanques regionais ou posicionamentos religiosos de Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL). A cúpula da legenda está focada em salvar o Digimais — o banco controlado pelo bispo Edir Macedo com rombo estimado em R$ 8,5 bilhões — , e talvez a neutralidade seja o melhor caminho para que o objetivo seja alcançado. Desde a Semana Santa, a histórica postura da Universal contra o PT mudou de tom. Embora tenha passado o mês de março anunciando que enviaria um recado crítico para a esquerda nos eventos da Sexta-feira da Paixão em estádios lotados pelo Brasil, nada disso aconteceu. Pelo contrário, de lá pra cá o presidente do Republicanos, o bispo licenciado Marcos Pereira, passou a dar entrevistas cogitando não apoiar Flávio na corrida presidencial — uma aliança, em tese, natural devido à maior aceitação de nomes da direita no segmento evangélico. Dias depois da Páscoa, foi divulgada pela imprensa a negociação para o BTG Pactual de André Esteves comprar o Digimais, que previa um aporte de R$ 7 bilhões do Fundo Garantidor de Crédito (FGC) para que a operação avançasse. Simultaneamente, voltou a entrar no cálculo da Universal a necessidade de manter boa relação com o Palácio do Planalto. Embora privado, o FGC tem o Banco do Brasil e a Caixa Econômica Federal como membros. Há casos em que a palavra do governo vale ainda mais para colocar de pé as operações do fundo. Desde o mês passado por exemplo, a governadora do Distrito Federal, Celina Leão (PP), está aguardando resposta do Tesouro Nacional a um pedido de aval para um empréstimo de R$ 6,6 bilhões do FGC para socorrer o Banco de Brasília (BRB) após a exposição a carteiras de créditos podres do Banco Master. Nos últimos dois meses, o noticiário envolvendo o Digimais expondo suspeitas de operações fraudulentas atrapalhou ainda mais os planos de Macedo. Em março, a Revista piauí revelou um modus operandi fraudulento do Digimais semelhante ao do Master. Uma dessas irregularidades está sendo analisada na 13ª Vara de São Paulo em ação movida pelo fundo EXP1, que acusa o banco da Universal de vender R$ 650 milhões de reais em carteiras de crédito falsas. Essa semana, o Estado de S. Paulo mostrou que há repasses de carteiras do Digmais para outras instituições com cerca de 60% de inadimplência. Diante da resistência do FGC de avançar no resgate do Digimais nos termos negociados com o BTG Pactual, Macedo está disposto a fazer ele próprio um aporte de R$ 1,5 bilhão no banco. Em dezembro do ano passado, o fundador da Universal já havia feito esse movimento ao injetar R$ 250 milhões para reforçar o capital da sua própria empresa. A relação de Macedo com o mercado financeiro começou em 2009, quando adquiriu 40% de participação do então Banco Renner. Em 2020, comprou todo o banco, mudando seu nome para Digimais, e colocou o bispo João Urbanela para dirigi-lo. Após dois anos, uma instituição de finanças sólidas na era Renner passou a dar prejuízo — em 2022, o balanço do banco apontou um vermelho de R$ 740 milhões no caixa. Recomendo "Michael" Vamos começar falando sobre os aspectos positivos da cinebiografia do rei do pop, afinal o nome da seção é "Recomendo", não é mesmo? As cenas do filme com música e danças estreladas por Jaafar Jackson, sobrinho de Michael Jackson, são nota 10, em qualidade semelhante a de obras recentes incríveis como Rocketman, sobre Elton John, e Bohemian Rhapsody, sobre Freddie Mercury. A nota zero fica por conta do roteiro, principalmente devido às omissões em relação a tudo que envolve a trajetória controversa de Michael Jackson. É uma cinebiografia chapa branca, que ignora completamente as acusações de abuso sexual que o artista sofreu nos anos 90. Pelo que pesquisei, inicialmente o roteiro incluía referências ao caso de Jordan Chandler, garoto que acusou o cantor em 1993. No entanto, o conteúdo acabou removido após uma série de refilmagens. Segundo a Lionsgate Studios, responsável pelo longa, as cenas entravam em conflito com um acordo firmado entre a família Chandler e o espólio do cantor, que impedia comentários públicos sobre o caso. No mês que vem, a Netflix lançará um documentário que vai no caminho oposto ao do filme. "Michael Jackson: The Verdict" vai contar a história do julgamento de 2005 em que o rei do pop foi acusado de abusar sexualmente de Gavin Arvizo, um jovem de 13 anos que lutava contra o câncer, na célebre propriedade conhecida como Neverland Ranch. Embora não tenha sido condenado criminalmente nesse caso anos depois, o cantor estabeleceu um acordo com a acusação por cerca de 23 milhões de dólares na esfera cível.
Jogo Político: Como a equação para sanar o rombo bilionário no banco de Edir Macedo se reflete na corrida ao Planalto
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