O senador Ciro Nogueira (PI), presidente nacional do PP, disse que o pré-candidato à Presidência pelo PL, Flávio Bolsonaro, deve prestar contas sobre sua relação com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro e, caso seja considerado culpado por algum ato ilícito, deve "pagar exemplarmente". Um dos principais expoentes do Centrão, Ciro disse que um eventual apoio a Flávio vai depender dos desdobramentos do chamado Caso Master e do desempenho do presidenciável do PL nas próximas pesquisas de intenção de voto. O senador do PP não descartou um “plano B” de seu campo político na disputa presidencial. "Acho que o Flávio tem que ter todo o direito de se defender. Se ele for culpado, assim como eu e qualquer brasileiro, tem que pagar exemplarmente. Agora, se for inocente, tem que dar todo o direito para que ele possa disputar a eleição, que estava até liderando", disse o parlamentar, em entrevista à TV Cidade Verde, do Piauí, seu Estado natal, nesta quinta-feira (21). Nas declarações, Ciro evitou defender enfaticamente o aliado e afirmou que o filho de Jair Bolsonaro (PL) ainda precisa dar esclarecimentos sobre as mensagens que trocou com Vorcaro. Nos diálogos, revelados pelo site Intercept Brasil, Flávio cobra do ex-banqueiro dinheiro para financiar o filme "Dark Horse", sobre a vida do ex-presidente. O caso não é formalmente investigado pela Polícia Federal. Nos últimos dias, Flávio Bolsonaro encontrou aliados para tentar reforçar a viabilidade de sua candidatura. O presidente do PP, no entanto, fez ponderações. “Vamos ver pelas próximas pesquisas, vai depender de como ele vai reagir a isso, dos esclarecimentos que vão ser dados, para que se escolha esse candidato de oposição”, disse. “Estamos aguardando. O Brasil como um todo está esperando os esclarecimentos, o próprio posicionamento de Polícia Federal, de Ministério Público, de Judiciário”, declarou. Ao falar sobre a possibilidade de um “plano B” dos bolsonaristas, Ciro disse que é uma decisão do PL e do ex-presidente Jair Bolsonaro. Uma das possibilidades, afirmou, seria uma candidatura da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL). “A força eleitoral do presidente Lula e do presidente Bolsonaro é uma coisa sem precedentes. Temos o nome da dona Michelle, se o Flávio não for candidato, é um nome muito forte, mas é uma decisão muito do presidente Bolsonaro.” Há duas semanas, Ciro foi alvo da quinta fase da "Operação Compliance Zero", da Polícia Federal (PF), que apura os indícios de fraude no Banco Master. Segundo os investigadores, o parlamentar teria recebido uma mesada de até R$ 500 mil de Vorcaro. Em troca, teria trabalhado a favor de interesses da instituição financeira. O parlamentar nega irregularidades. Após a ação da PF, Flávio evitou se associar ao aliado e reagiu cobrando que o Congresso instale uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar as fraudes do Master, além de buscar ligar o escândalo ao PT. O PL busca uma aliança nacional com a federação União-PP. Ciro chegou a ser cotado como vice na chapa presidencial. Nesta quinta-feira, Ciro disse que a ligação de Flávio com Vorcaro foi “uma surpresa”. “A gente não tinha conhecimento dessa relação, desse investimento que foi feito”, afirmou. “Mas, até agora, não vi nada de ilegal. Espero que isso seja mais rapidamente esclarecido.” “A força eleitoral do presidente Lula e do presidente Bolsonaro é uma coisa sem precedentes. Temos o nome da dona Michelle, se o Flávio não for candidato", disse Ciro Nogueira, sobre a possibilidade de um “plano B” dos bolsonaristas — Foto: Brenno Carvalho/Agência O Globo
Se Flávio for culpado, tem que pagar exemplarmente, diz Ciro Nogueira
O senador evitou defender enfaticamente o aliado e afirmou que o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) ainda precisa dar esclarecimentos sobre as mensagens que trocou com Daniel Vorcaro












