Grupo automotivo priorizará as marcas Jeep, Ram, Peugeot e Fiat Fábrica da Stellantis em Poissy, oeste de Paris. — Foto: Thibaud Moritz/AFP RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 21/05/2026 - 15:54 Stellantis revela plano de US$ 70 bi com foco em 60 novos modelos até 2030 A Stellantis anunciou um plano de recuperação de US$ 70 bilhões até 2030, focando nas marcas Jeep, Ram, Peugeot e Fiat. A meta é lançar 60 novos modelos, aumentar a receita para 190 bilhões de euros e elevar a margem de lucro para 7%. A empresa planeja reduzir a capacidade excedente na Europa e firmar parcerias estratégicas, enfrentando a concorrência chinesa e revitalizando marcas como Jeep e Ram. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO A Stellantis anunciou um grande plano de investimentos focado em quatro marcas principais, em uma ampla reestruturação para aumentar a rentabilidade. A estratégia marca uma mudança sob o comando do novo CEO, Antonio Filosa. O grupo automotivo investirá cerca de US$ 70 bilhões até 2030 para lançar 60 novos modelos, priorizando as marcas Jeep, Ram, Peugeot e Fiat. Na América do Norte, a empresa pretende adicionar uma nova picape compacta e outra de porte médio, além de um novo modelo de entrada da Dodge, como parte do esforço para reconstruir suas operações após anos de queda nas vendas. A Chrysler, que hoje vende apenas uma minivan, receberá três novos modelos crossover com preços entre US$ 25.000 e US$ 35.000. A Stellantis também mira um crescimento de 25% na receita da América do Norte. “Podemos crescer simplesmente estando presentes em mais segmentos”, disse Tim Kuniskis, chefe de marcas para as Américas, aos investidores na quinta-feira. “Isso é fundamental, porque a indústria não vai nos ajudar. A expectativa é de estagnação até 2030.” Até 2030, a Stellantis prevê elevar a receita para 190 bilhões de euros, ante 154 bilhões de euros registrados no ano passado. A empresa pretende aumentar a margem de lucro operacional ajustada para 7% no mesmo período, incluindo até 10% na América do Norte. A companhia também espera gerar fluxo de caixa livre industrial positivo já no próximo ano, chegando a 6 bilhões de euros em 2030. As metas de rentabilidade contrastam com a margem operacional de apenas 2,5% no primeiro trimestre, que decepcionou investidores por incluir ganhos financeiros não recorrentes. O conglomerado de 14 marcas tenta superar um período turbulento, depois de perder dois terços de seu valor de mercado nos últimos dois anos. As ações da Stellantis reduziram as perdas após a divulgação de metas financeiras mais detalhadas na tarde de quinta-feira, recuando 1,1% às 13h45 em Nova York. As ações chegaram a cair 7,4% anteriormente, sugerindo que alguns investidores esperavam movimentos mais agressivos para simplificar o extenso portfólio da empresa. Embora a empresa tenha metas ambiciosas para o importante mercado americano, o plano “não é suficiente para lidar com os principais desafios do setor e a intensa concorrência dos chineses, principalmente na Europa”, disseram os analistas da Bloomberg Intelligence, Michael Dean e Giacomo Reghelin, em nota. A estratégia apresentada em reunião com investidores nos Estados Unidos vem após uma série de dificuldades que levaram a acordos inéditos com concorrentes, incluindo montadoras chinesas. Os investimentos apoiarão o lançamento de novos modelos e um esforço para unificar as plataformas dos veículos a fim de reduzir custos, afirmou a Stellantis. Cerca de 70% dos recursos serão destinados às divisões Jeep, Ram, Peugeot e Fiat. Outras marcas, como Dodge e Citroën, terão abordagens mais regionais, mas também se beneficiarão dos investimentos do grupo em novas plataformas, motores e tecnologias. No total, o grupo pretende alcançar 6 bilhões de euros em economia anual até 2028, em comparação aos níveis do ano passado. Um dos principais pilares será reduzir a capacidade excedente na Europa, onde montadoras chinesas lideradas pela BYD expandem presença em um mercado que ainda não voltou aos níveis pré-pandemia. A Stellantis, ao lado da Volkswagen, é uma das mais afetadas pelo excesso de capacidade na região. A empresa reduzirá sua capacidade europeia em 800 mil unidades, em parte convertendo fábricas para outras funções, como a unidade de Poissy, na França. Também pretende compartilhar produção com duas parceiras chinesas. A Dongfeng Motor e a Leapmotor terão acesso a fábricas na Espanha e na França, enquanto a União Europeia avalia medidas protecionistas adicionais sobre carros elétricos chineses. A Leapmotor, que possui uma joint venture com a Stellantis, também fornecerá tecnologia competitiva para veículos elétricos. O movimento marca o nível mais profundo de cooperação na Europa entre montadoras chinesas até hoje. A Stellantis também informou que fará parceria com a Tata Motors na Ásia-Pacífico, África, América do Sul e Oriente Médio em projetos de veículos e produtos. Na quarta-feira, a empresa anunciou que estuda desenvolver veículos nos EUA com a britânica Jaguar Land Rover, controlada pela Tata. Para a Maserati, marca de luxo em dificuldades, a Stellantis planeja lançar dois novos modelos eletrificados. A companhia apresentará um plano estratégico para a marca deficitária em Modena, na Itália, em dezembro. A grande quantidade de marcas da Stellantis já era vista como um problema desde a fusão, em 2021, entre a Fiat Chrysler Automobiles e o PSA Group. Na época, executivos acreditavam que ganhar escala e reunir mais recursos para a transição aos veículos elétricos ajudaria a competir com gigantes como a Toyota e a Volkswagen. A estratégia funcionou por um período. Sob o comando do então CEO Carlos Tavares, a Stellantis alcançou retornos de dois dígitos. Mas a política agressiva de corte de custos, acompanhada de aumento de preços, acabou prejudicando a qualidade dos veículos e resultou em carros menos competitivos. A Jeep, por exemplo, acumulou seis anos consecutivos de queda nas vendas nos Estados Unidos, apesar de continuar desejada por fãs de off-road. Melhorias duradouras dependem da revitalização das marcas Jeep e Ram. No ano passado, a Stellantis prometeu investir US$ 13 bilhões na América do Norte para renovar sua linha de produtos. A empresa trouxe de volta opções populares, como o potente motor Hemi V-8. A recuperação, até o momento, tem sido irregular. Enquanto as vendas da marca Ram aumentaram um quinto no primeiro trimestre, impulsionadas pelo retorno do Hemi, as entregas da Jeep cresceram apenas 3%. Isso apesar da reformulação do SUV Grand Cherokee, o mais vendido, do lançamento de um Grand Wagoneer mais acessível e do retorno do Cherokee compacto, agora em versão híbrida após três anos de ausência. A recuperação dos negócios ocorre em um cenário desafiador, que também afeta os concorrentes. Juros elevados e preços da gasolina em alta estão afastando os compradores, enquanto as tarifas reduzem os lucros. O CEO Antonio Filosa precisou tranquilizar os investidores, garantindo que a melhora na América do Norte continuará após margens abaixo do esperado terem derrubado as ações no mês passado.