Foro dos Vice-Ministros e Altas Autoridades da Cultura reúne-se no evento para programação voltada ao fortalecimento da cooperação regional Rio2C em 2024 — Foto: Divulgação RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 21/05/2026 - 06:58 Rio2C 2026: Fórum Ibero-Americano Foca em Economia Criativa e Sustentabilidade O Rio2C 2026 sediará um fórum com vice-ministros e autoridades culturais da Ibero-América, focando em fortalecer a cooperação regional na economia criativa, setor que representa 3,5% do PIB brasileiro. Serão firmados acordos com El Salvador e Bolívia, visando desenvolver políticas públicas culturais e marcos regulatórios para trabalhadores da cultura. O evento também explorará a inclusão da cultura na agenda de desenvolvimento sustentável pós-2030 da ONU. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO Setor que responde por 3,5% do PIB brasileiro e reúne cerca de 7 milhões de trabalhadores, a indústria criativa tem sido parte relevante da agenda do Brasil e de outros países iberoamericanos. Na próxima semana, o Foro dos Vice-Ministros e Altas Autoridades da Cultura da Ibero-América irá se reunir no Rio de Janeiro, durante o Rio2C 2026, para uma programação que inclui discussões em painéis, reuniões institucionais e assinaturas de acordos, voltados ao fortalecimento da cooperação regional em torno da economia criativa e das políticas públicas culturais. Na linha dos acordos, serão firmados convênios com El Salvador, para criação do primeiro Mercado de Indústrias Culturais e Criativas da América Central, e com a Bolívia, para uma assistência técnica para desenvolvimento do Plano Nacional de Cultura do país. Haverá também o anúncio de uma convocatória para assistências técnicas voltadas ao desenvolvimento dos Estatutos da Pessoa Artista e Trabalhadora da Cultura – instrumentos que vêm sendo discutidos pela Organização dos Estados Ibero-Americanos para a Educação, a Ciência e a Cultura (OEI) e em diversos países, inclusive no Brasil. A ideia é criar marcos regulatórios locais, que garantam os direitos trabalhistas, previdenciários, autorais e tributários dos profissionais dessa indústria. — Isso tem um impacto enorme para quem trabalha na cultura, um setor altamente precarizado, por conta das relações de trabalho e por questões associadas ao tema previdenciário — avalia Raphael Callou, diretor-geral de Cultura da OEI. — Esse sistema, na maioria dos países, não reconhece especificidades como intermitência e sazonalidade, como se as pessoas trabalhassem só parte do ano. Isso impacta na contagem de tempo de arrecadação em benefício da Previdência Social, o que deixa os trabalhadores bastante fragilizados. Formação Atualmente, 17 países fazem parte do Foro: Brasil, Bolívia, Chile, Colômbia, Costa Rica, El Salvador, Espanha, Equador, Guatemala, Honduras, Panamá, Paraguai, Peru, Portugal, República Dominicana e Uruguai – além de Cabo Verde, membro associado ao grupo. O órgão foi criado em 2024 e conta com a presidência para o tempore do Brasil até o fim de 2026. Opera no âmbito da OEI, com atuação sobretudo no campo diplomático, de formação e de orientação para construção de políticas públicas. O Brasil tem desempenhado importante papel no eixo da formação orientada para as indústrias culturais e criativas da região. Desenvolvida pela Secretaria da Economia Criativa e Fomento Cultural do Ministério da Cultura (MinC), a Escola Solano Trindade de Cultura e Economia Criativa (Escult) oferece cursos livres, Formação Inicial e Continuada (FIC) e pós-graduação on-line em áreas técnicas e em temas como políticas e gestão cultural, economia criativa e linguagens artísticas. A plataforma, que já registra mais de 65 mil concluintes, vai destinar mil novas vagas aos países membros do Programa Ibero-Americano de Indústrias Culturais e Criativas (PIICC), gerenciado pelo Foro. — Esse é um elemento de diplomacia cultural muito significativo. São capacitações que suprem lacunas do setor, existentes nos diferentes países — aponta Márcio Tavares, secretário-executivo do MinC e presidente do Foro. Segundo ele, além dos cursos nacionais, ofertados em parceria com institutos e universidades federais, a Escult tem recebido propostas para oferta de formações desenvolvidas por outros países ibero-americanos, o que tende a ampliar o perfil e o alcance da plataforma. Desenvolvimento sustentável Outra discussão impulsionada pelo Foro Iberoamericano trata da defesa da cultura e da economia criativa como dimensão estratégica na agenda da Organização das Nações Unidas (ONU) pós-2030, com sua inclusão dentro dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS). Até o fim do ano, o órgão pretende lançar um estudo intitulado Cultura e Desenvolvimento Sustentável na Ibero-América, com dados e indicadores que relacionam o desenvolvimento econômico na área de economia criativa e a preservação ambiental. — Esse é um elemento central no debate sobre políticas públicas para os próximos anos. Estamos encerrando o ciclo dos ODS, e os países devem começar as negociações sobre os próximos objetivos. Afirmar a cultura como estratégia de desenvolvimento sustentável é muito importante. É o setor que mais emprega jovens de até 30 anos no mundo, que tem baixa taxa de desigualdade na perspectiva de gênero e representa mais de 3% dos empregos gerados na Ibero-América. Tudo isso não pode ser descartado — analisa Raphael Callou. Márcio Tavares destaca ainda o peso da indústria criativa para a inclusão social e para o fortalecimento das identidades nacionais e, no caso ibero-americano, regional. — A economia criativa é um dos eixos de futuro de qualquer projeto de desenvolvimento. É o setor que cresce mais rápido e com maior dinamismo, no Brasil e na maioria dos países da Ibero-América, e a tendência é que ocupe cerca de 10% do espaço econômico global até a década de 2030. Trata-se de uma agenda com um retorno incomparável do ponto de vista simbólico e identitário, e uma grande oportunidade de emprego, renda e transformação social. Rio2C Maior encontro de criatividade da América Latina, o Rio2C acontecerá de 26 a 31 de maio, na Cidade das Artes. As discussões do Foro Ibero-americano integram o Palco MinC Conecta, que reunirá lideranças culturais para refletir sobre desafios e oportunidades no campo da cultura e da economia criativa.
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