1ª edição do festival celebra a língua portuguesa com programação diversa e artistas lusófonos — de Portugal, Angola, Moçambique e mais países; veja a programação completa Remexe Rio: Alice Caymmi, Zeca Baleiro e Adriana Calcanhotto integram a programação do festival gratuito — Foto: Guito Moreto, Diego Ruahn e Leo Aversa RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 20/05/2026 - 18:00 Festival "Remexe Rio" celebra cultura lusófona com shows gratuitos O festival "Remexe Rio" estreia na Praça XV, celebrando a língua portuguesa com shows gratuitos de artistas lusófonos, como Alice Caymmi e Adriana Calcanhotto. O evento, que vai de 22 a 24 de setembro, reúne música, dança e literatura, destacando nomes de Portugal, Angola e Moçambique. A iniciativa busca promover um diálogo cultural e decolonial, transformando a praça num espaço de encontros e reflexões. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO A ideia era fazer um “manifesto da língua portuguesa”. Para isso, Connie Lopes reuniu um time de peso: artistas lusófonos, da música à dança, da literatura às artes visuais, todos, de alguma forma, ligados às palavras e à língua — aquela mesma que Caetano gostava de roçar na de Luís de Camões. As cantoras brasileiras Alice Caymmi e Adriana Calcanhotto, a fadista portuguesa Bia Caboz e o escritor angolano José Eduardo Agualusa inclusos nessa lista. Nasce assim, entre sexta (22) e domingo (24), no Paço Imperial e na Praça XV de Novembro, a primeira edição do festival gratuito “Remexe Rio”. — A Praça XV, onde a corte portuguesa e os africanos escravizados chegaram, é um lugar muito emblemático para a estreia desse que é um evento decolonial — afirma Connie, empresária também à frente do “Back2Black” que, apesar de ter nascido em Portugal, hoje diz se sentir “mais brasileira”. — Queremos mexer e remexer (nessa história). Minha maior realização é que as pessoas saiam com algo (na cabeça) que nunca tinham pensado antes. Alice conta que começou a se apaixonar pelo universo das palavras através da obra do avô Dorival — que, agora, revisita no álbum que leva o sobrenome da família: “CAYMMI” (assim mesmo, todo em letras maiúsculas). É esse show que vai chegar ao palco da praça, domingo, para encerrar a programação do festival. A apresentação marca a estreia do trabalho no Rio, cidade em que a carioca de raízes baianas voltou a morar depois de quatro anos em São Paulo. Nas redes, entre público e crítica, a recepção tem sido muito positiva. Alice Caymmi — Foto: Guito Moreto/Agência O Globo — Esse trabalho representa um lugar de maturidade e de completude como artista e como pessoa que eu nunca tinha chegado antes. Tem um retorno às raízes, mas por me sentir parte daquilo, e não por obrigação, sabe? — diz a cantora, que celebra o sucesso do projeto. — Numericamente, com o público, eu estourei uma bolha que há um tempo não conseguia, e a crítica também acolheu, então estou até me beliscando, todos os dias, porque eu acho que consegui chegar “lá”. Ela divide o dia com Natasha Llerena e a moçambicana Lenna Bahule, que já colaborou com Mateus Aleluia e atualmente está com uma música na novela “A nobreza do amor”, da TV Globo (“Hoya hoya”, com pegada ao mesmo tempo ritualística e contemporânea); além do coletivo Rua das Pretas — de Pierre Aderne, com direção musical de Kiko Horta, descrito pela Forbes como “o próximo Buena Vista Social Club”. Lenna Bahule — Foto: Julia Mataruna/Divulgação — Fazer show em praça pública é sempre muito mais legal — destaca Alice. — Você vê exatamente quem está ali porque quer ouvir e também “pega” aquela pessoa que está trabalhando e outra que está passando curiosa. Para o artista, é uma experiência maravilhosa. Sexta, quem abre os trabalhos é o grupo de jongo da Lapa. No fim da noite, Calcanhotto reúne sucessos da carreira, como “Vambora” e “Esquadros”, em show de voz e violão. Sábado, a cantora portuguesa Bia Caboz volta à cidade em que morou de 2021 a 2023. Um dos destaques da nova geração do fado, ela apresenta “Espiral”, álbum que começou a ser escrito em solo carioca, quando conseguiu olhar para o fado “de fora do fado”. Bia Caboz — Foto: Henrique Seruca/Divulgação — Eu vim ao Rio para passar 15 dias de férias e acabei por morar dois anos, virou uma espécie de exílio artístico — diverte-se a fadista, que acabou conhecendo “a profundidade e as contradições” da cidade. — O (José) Saramago diz que “é preciso sair da ilha para ver a ilha”, e foi a primeira vez que essa frase fez sentido literal para mim. Morar no Brasil mudou completamente a minha relação com a música portuguesa e comigo mesma. Entendi que eu podia ser livre e que a tradição não deveria ser vivida como uma prisão, mas como um ponto de partida. Bia divide a noite, no palco montado na Praça XV, com o grupo feminino de forró Tocaia e o maranhense Zeca Baleiro (“Telegrama” e “Samba do approach”), que destaca um dos grandes poderes da música, principalmente nesse momento dividido que o Brasil vive. Zeca Baleiro — Foto: Diego Ruahn — A música sempre foi um ponto de união. É um lugar onde as coisas fragmentadas do mundo se reúnem e são reorganizadas de alguma maneira — afirma o cantor. — A arte serve para isso. E a música, por ser a arte mais fluida de todas, tem um poder muito grande de comunicação e de aglutinação social. Dentro do Paço — cuja parede externa será adornada pela vídeo-arte “Lusamorfose”, do jovem português João Pedro Fonseca —, o destaque de sábado é a conversa entre Agualusa e o português Marco Franco, batizada de “As aventuras das línguas portuguesas”. O escritor angolano José Eduardo Agualusa — Foto: Divulgação — Esta língua que todos os dias reinventamos, nós, angolanos, brasileiros, portugueses, foi-se construindo e sofisticando, ao longo dos séculos, através do namoro com outros idiomas: o árabe, o kimbundo, o guarani e tantos outros — destaca Agualusa, que está lançando o livro “Tudo sobre Deus”. — Talvez seja hora de pensar numa designação que reflita o que ela é hoje, não mais um idioma colonial, mas um território de encontros e de afetos, uma “Língua Geral”. Onde: Praça XV de Novembro, CentroQuando: Sex, das 18h às 22h45. Sáb, das 17h às 21h30. Dom, das 14h às 20h30 'Remexe Rio': a programação completa SEXTA 18h: Feira de Artes e Gastronomia18h30: Jongo na Praça19h30h: DJ MdM20h: Trinka21h30: Adriana Calcanhotto22h45: DJ MdM SÁBADO 17h: Feira de Artes e Gastronomia17h30: Maracatu na Praça17h30: Palestra “As aventuras das línguas portuguesas”, com José Eduardo Agualusa (Angola) e Marco Franco Neves (Portugal) — Sala dos Archeiros, Paço Imperial18h30: Tocaia20h: Bia Caboz21h30: Zeca Baleiro DOMINGO 14h: Feira de Artes e GastronomiaA partir das 14h: Cooking shows no espaço gastronômico14h: Capoeira na Praça14h30 às 17h: Visita Guiada pelo Centro Histórico com Prof. Claudio Honorato14h: Palestra “Era no tempo do rei”, com Rosana Lanzelotte e Isabel Lustosa — Sala dos Archeiros, Paço Imperial15h30: Palestra “Arte e tecnologia”, com Batman Zavareze e João Pedro Fonseca (Portugal) — Sala dos Archeiros, Paço Imperial16h: Sarau Decolonial de Poesia17h30: Natasha Llerena + Lenna Bahule19h: Alice Caymmi20h30: Rua das Pretas (coletivo de Portugal, Cabo Verde e Brasil)
'Remexe Rio' ocupa a Praça XV com shows gratuitos de Adriana Calcanhotto, Alice Caymmi e mais
1ª edição do festival celebra a língua portuguesa com programação diversa e artistas lusófonos — de Portugal, Angola, Moçambique e mais países; veja a programação completa












