A crise desencadeada na pré-campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) pela ligação do presidenciável com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro pode colocar o deputado Aécio Neves (PSDB-MG) na eleição presidencial. A possibilidade deve ser discutida na próxima semana em reunião da federação partidária do PSDB com o Cidadania e o Solidariedade. A proposta de candidatura do tucano deverá vir do Cidadania, que convocou uma reunião da sua Executiva esta sexta-feira para debater o tema. Nesta quarta-feira (20), Aécio afirmou que trabalha este ano com três alternativas: ser candidato a presidente, ao Senado por Minas Gerais, ou não disputar. “Vamos fazer uma reunião na federação terça-feira para falar sobre isso. Já defini há mais de um ano que não concorro a um novo mandato na Câmara, é tempo demais”, disse. Aécio exerce mandatos eletivos de forma ininterrupta desde 1986, entre suas passagens pela Câmara, pelo Senado e pelo governo de Minas Gerais. Para o presidente nacional do Cidadania, deputado Alex Manente (SP), as denúncias contra Flávio abrem caminho para candidaturas presidenciais que se proponham a quebrar a polarização entre lulismo e bolsonarismo. “Aécio tem a envergadura necessária para isso, por ter sido quase eleito presidente em 2014”, disse. O deputado mineiro retornou este ano à presidência do PSDB, substituindo o ex-governador goiano Marconi Perillo. Aécio desde então vem defendendo que o partido tenha uma candidatura própria a presidente. O mineiro articulou a filiação ao partido do ex-governador do Ceará Ciro Gomes, que disputou a presidência em 1998, 2002, 2018 e 2022. A direção do PSDB convidou este mês o cearense para uma quinta candidatura nacional. Ciro, contudo, optou pelo projeto de disputar novamente o governo de seu Estado, em aliança com o bolsonarismo. A eventual candidatura presidencial de Aécio preocupa parlamentares do PSDB. A bancada do partido deslocou-se do centro para a direita nos últimos anos e prefere a neutralidade do partido na eleição nacional. Aécio perdeu a eleição presidencial de 2014 por pequena margem para a então presidente Dilma Rousseff. O mineiro contestou o resultado eleitoral, o que colaborou para desestabilização política que viria a causar o impeachment de Dilma, dois anos depois. A trajetória nacional de Aécio foi cortada em 2017, quando ele se viu envolvido em denúncias de corrupção nas delações dos acionistas e diretores do grupo Odebrecht, no âmbito da Lava-Jato, e do empresário Joesley Batista. Ele em 2018 desistiu de concorrer à reeleição ao Senado e voltou para a Câmara dos Deputados, onde submergiu em uma atuação discreta tanto partidária quanto parlamentar. Absolvido de todas as acusações pela Justiça, retornou ao primeiro plano.
PSDB e Cidadania começam a discutir candidatura de Aécio Neves à Presidência
Crise na pré-campanha de Flávio faz dirigentes avaliaram possibilidade de lançar deputado












