Na noite de uma quinta-feira, em 12 de junho do ano passado, um pequeno grupo de apostadores da internet fez uma previsão muito específica na Polymarket, o site de apostas que oferece probabilidades sobre praticamente tudo.

Treze usuários apostaram um total de US$ 140 mil (R$ 775,4 mil na época) que Israel atacaria o Irã até o final daquela semana, mesmo quando as probabilidades sugeriam que um ataque era improvável. Sete das contas haviam sido abertas apenas alguns dias antes. Outra tinha um histórico de apostas relacionadas a ações militares contra o Irã —e havia ganhado dinheiro em todas elas.

Israel atacou o Irã no final daquele dia, rendendo às contas mais de US$ 600 mil (R$ 3,3 milhões) em lucros.

O crescimento explosivo de mercados de previsão como a Polymarket abalou o mundo político no último ano, alimentando preocupações sobre um novo tipo de uso de informações privilegiadas por líderes militares e funcionários do governo com acesso a planos confidenciais.

Um reservista militar foi recentemente indiciado em Israel por um esquema de apostas sobre o ataque de junho, enquanto um soldado das Forças Especiais do Exército dos EUA foi acusado no mês passado de apostar na captura de Nicolás Maduro, presidente da Venezuela.