A Amazon vai fechar acordos com pontos de venda no Brasil, como pequenas mercearias, lojas de acessórios, papelarias, entre outros, que funcionarão como agentes de entrega para a empresa. Esse modelo de envio de mercadorias começa em setembro. A informação foi divulgada pelo comando do grupo nesta quarta-feira (20) em evento em São Paulo. Segundo a direção, os acordos serão customizados, variando de caso a caso, mas a ideia é que os lojistas façam entregas em até um a dois quilômetros para a empresa. “Os lojistas podem fechar seu ponto em momentos de frequência menor e fazer a entrega por algumas horas para nós. Vimos que há uma demanda de lojistas nesse sentido por isso decidimos avançar com essa possibilidade”, disse Márcio Neves, diretor de operações. A Amazon ainda anunciou a extensão de benefícios de seu programa Fullfilment by Amazon (FBA), que terminaria em 31 de julho, e foi prolongado de 1° de agosto a 31 de janeiro. O FBA permite que a empresa ofereça serviço logístico próprio e cobre por isso. Pelo programa atual, a coleta e o armazenamento são gratuitos a partir do centros de distribuição do lojista, mas para participar desse programa é preciso ter um gasto de 3,5% da receita com vendas em anúncios patrocinados (“ads”) na plataforma, e com isenção para produtos acima de R$ 100. Produtos abaixo desse valor de R$ 100 são cobrados R$ 5 por unidade enviada. Ocorre que, após agosto, a armazenagem e coletas continuam gratuitos ao vendedor, mas o valor cobrado será de R$ 6 e a isenção passa a valer para compras de menor valor, acima de R$ 79, informou o comando. Nos últimos meses, a Amazon tem se movimentado de forma mais agressiva, com uma série de anúncios dentro de um plano de acelerar seu ganho de market share no Brasil. Semanas atrás, Amit Agarwal, vice-presidente sênior de mercados emergentes, esteve no Brasil e abriu detalhes desse plano ao Valor. “O Brasil foi escolhido globalmente como prioridade de investimento para além dos Estado Unidos”, disse Neves. A executiva Virginia Pavin, diretora de marketplace da Amazon, foi perguntada hoje sobre o efeito do fim da taxação das blusinhas no país. O governo anunciou volta da isenção, e queda do imposto de importação de 20% desde a semana passada. “A Amazon tem a maior base de vendedores na China e eles estão presentes nos EUA, e eles estão com estoques cada vez mais perto. O vendedor com conta no Brasil, já tem contas habilitadas no México e EUA, é muito simples para ele, e queremos trazer esses vendedores ao Brasil. A taxa da blusinha veio para facilitar”, disse Pavin. — Foto: Bloomberg