Estágio mais alto de alerta da organização foi instaurado no fim de semana em meio ao surto do vírus que já acumula quase 600 casos e 140 mortes suspeitas na República Democrática do Congo e em Uganda Tedros Adhanom Ghebreyesus, chefe da Organização Mundial de Saúde (OMS) — Foto: AFP RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 20/05/2026 - 06:42 OMS Declara Emergência de Saúde por Surto de Ebola na África Central A OMS declarou emergência de saúde pública devido ao surto de Ebola na RDC e Uganda, com quase 600 casos e 139 mortes suspeitas. O diretor-geral, Tedros Adhanom, destacou a necessidade de ação urgente devido à rápida disseminação e falta de vacinas. A situação é crítica em Ituri, RDC, onde conflitos e movimentos populacionais agravam o cenário. A decisão reflete a gravidade e potencial de expansão da epidemia. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO O diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus, disse que já são quase 600 casos e 139 mortes suspeitas no surto de Ebola na República Democrática do Congo (RDC) e em Uganda e que mais registros são esperados. — Esperamos que esses números continuem aumentando, considerando o tempo que o vírus esteve circulando antes que o surto fosse detectado — disse durante entrevista coletiva na manhã desta quarta-feira. O chefe da OMS também afirmou que a reunião do Comitê de Emergência, realizada na terça-feira, concordou que o cenário representa uma emergência de saúde pública de importância internacional, estágio mais alto de alerta da organização: — O Comitê concordou que a situação constitui uma emergência de saúde pública de interesse internacional, mas não uma emergência pandêmica. A OMS avalia o risco da epidemia como alto nos níveis nacional e regional, e baixo no nível global. Ontem, durante a abertura da reunião do Comitê, Tedros disse que era "urgente agir imediatamente para evitar mais mortes". No último domingo, o diretor-geral decretou emergência internacional, anúncio que pegou boa parte do mundo de surpresa, e convocou a reunião do grupo. Geralmente, quando há um surto que preocupa a OMS, o diretor-geral convoca primeiro a reunião do Comitê de Emergência, que avalia o cenário e dá recomendações ao órgão e aos países. Dessa vez, porém, Tedros decidiu se antecipar e determinar o status máximo de alerta antes mesmo da reunião: a primeira vez que isso é feito por um chefe da OMS. — Não tomei essa decisão de forma leviana. Fiz isso em acordo com o Artigo 12 dos Regulamentos Internacionais de Saúde, após consultar os ministros da Saúde de ambos os países (República Democrática do Congo e Uganda), e porque, em nossa avaliação, a escala e a velocidade da epidemia exigiam ação urgente — disse Tedros ontem. Segundo o diretor-geral, "há vários fatores que justificam séria preocupação sobre o potencial de maior disseminação e mais mortes", entre eles, o elevado número de casos e óbitos já detectados; o fato de a espécie do Ebola em circulação não ter vacinas ou terapias disponíveis e a identificação do vírus em grandes cidades. Além disso, o chefe da OMS mencionou o registro de mortes entre profissionais da saúde, indicando transmissão associada aos serviços médicos; o fato de a região afetada, a província de Ituri, na RDC, ter um movimento populacional significativo e, por fim, ser uma área "altamente insegura", com a intensificação de conflitos desde o final do ano passado. Nesta quarta-feira, durante a coletiva, a chefe do Comitê de Emergência e professora da Universidade de Pretoria, na África do Sul, Lucille Blumberg, frisou que o grupo concordou com a decisão do diretor-geral: — Nossa tarefa era decidir se este evento constitui uma emergência internacional. Concordamos com a decisão (do diretor-geral) e que ela deve continuar, pois satisfaz todos os critérios. Nosso papel é fornecer recomendações temporárias adicionais aos Estados-membros. Há a necessidade de pesquisa e desenvolvimento, de manter a vigilância laboratorial, quarentena, identificação de contatos, enterros seguros, a resposta habitual a surtos de Ebola. Vamos finalizar as recomendações aos Estados-membros nos próximos dias. O surto atual do Ebola é causado pela espécie do vírus conhecida como Bundibugyo. A principal região afetada é a província de Ituri, na RDC. Além disso, dois casos foram confirmados por laboratório, incluindo uma morte, em indivíduos que viajaram à RDC, sem ligação aparente entre si, em Kampala, capital de Uganda. No discurso, Tedros agradeceu o governo de Uganda por adiar as celebrações anuais do Dia dos Mártires, que acontecem em 3 de junho e podem atrair até dois milhões de pessoas, devido ao risco representado pela epidemia do Ebola. E destacou que a OMS tem uma equipe em campo apoiando as autoridades dos países. Essa é a 9ª vez que a OMS instaura o mais alto nível de alerta – e a terceira relacionada ao vírus Ebola. Confira abaixo as outras 8 emergências de saúde já decretadas pela organização. Ebola se torna emergência de saúde internacional; Veja fotos 1 de 11 O centro de tratamento de Ebola, em Goma, estava abandonado desde o fim do surto de 2019. Trabalhadores restauram o espaço — Foto: Jospin Mwisha / AFP 2 de 11 Uma funcionária verifica a temperatura de uma antes de permitir seu acesso ao hospital em Goma — Foto: Jospin Mwisha / AFP X de 11 Publicidade 11 fotos 3 de 11 Um profissional de saúde monitora os visitantes que chegam ao Laboratório Rodolphe Mérieux, do Instituto Nacional de Pesquisa Biomédica, em Goma — Foto: Jospin Mwisha / AFP 4 de 11 Cartaz com os números de contato de emergência para o Ebola fixado em uma tenda na passagem de fronteira de Busunga — Foto: Badru Katumba / AFP X de 11 Publicidade 5 de 11 Um soldado no antigo centro de tratamento de Ebola, em Goma, que estava abandonado desde o fim do surto em 2019 — Foto: Jospin Mwisha / AFP 6 de 11 Um agente sanitário higieniza as mãos de um motociclista pela fronteira entre Uganda e a República Democrática do Congo — Foto: Badru Katumba / AFP X de 11 Publicidade 7 de 11 Um visitante tem sua temperatura verificada antes de entrar no Hospital Kyeshero — Foto: Jospin Mwisha / AFP 8 de 11 Homem se prepara para entrar no Hospital Kyeshero, em um posto de controle para lavagem das mãos e aferição de temperatura para todos os visitantes — Foto: Jospin Mwisha / AFP X de 11 Publicidade 9 de 11 Um profissional de saúde monitora os visitantes que chegam ao Laboratório Rodolphe Mérieux, do Instituto Nacional de Pesquisa Biomédica, em Goma — Foto: Jospin Mwisha / AFP 10 de 11 Um agente de saúde fronteiriço na passagem entre Uganda e a República Democrática do Congo, verifica a temperatura de um viajante — Foto: Badru KATUMBA / AFP X de 11 Publicidade 11 de 11 Um visitante tem sua temperatura verificada antes de entrar no Hospital Kyeshero — Foto: John WESSELS / AFP Surto da doença na África leva OMS a acionar nível máximo de emergência sanitária internacional Mpox - 2022 a 2023 | 2024 a 2025 Paciente com monkeypox é examinado no hospital Arzobispo Loayza em Lima, no Peru — Foto: Ernesto BENAVIDES / AFP A última emergência a ter sido decretada e a ter chegado ao fim foi relacionada à mpox em 2024 após uma nova linhagem do vírus ter sido associada a um surto com mais de 14 mil infectados e 524 mortos na República Democrática do Congo (RDC). Em maio de 2025, após uma diminuição de quase 90% no número de casos notificados, a OMS deu fim ao status de alerta. Antes disso, em 2022, a doença, que já era endêmica em alguns países africanos, como na RDC, se disseminou pela primeira vez globalmente e de forma inédita por meio de relações sexuais. Nessa época, foi também a primeira vez que a OMS decretou emergência internacional por conta do vírus. Naquele ano, a mpox atingiu todos os continentes habitados, provocando cerca de 85 mil casos e pouco mais de 120 óbitos. O Brasil foi o segundo país mais afetado. Porém, com a queda de novos casos, em maio de 2023, quase um ano depois, a OMS decidiu encerrar a emergência. Ainda assim, o vírus continua a circular em muitas localidades. Covid-19 - 2020 a 2023 Cemitério do Caju, covas rasas em tempo de Coronavírus. — Foto: Gabriel Monteiro / Agência O Globo A pandemia da Covid-19 levou a OMS a instaurar emergência ainda no dia 30 de janeiro de 2020. A crise sanitária, uma das piores da História da humanidade, foi provocada por um novo coronavírus descoberto em 2019 na cidade de Wuhan, na China. Até agora, foram registradas mais de 7 milhões de mortes e 700 milhões de infectados. Um novo relatório da OMS, porém, estima que o número de mortes excessivas entre 2020 e 2023 chega, na realidade, a 22 milhões, mais que o triplo. O total engloba tanto óbitos que não foram notificados oficialmente, como aqueles decorrentes do impacto da crise sanitária nos serviços de saúde. No entanto, com a vacinação, que envolveu a maior campanha já realizada no planeta, os casos e, principalmente, a gravidade da doença diminuíram. Dessa maneira, também em 2023, no dia 5 de maio, a OMS deu fim ao cenário de emergência de saúde de importância internacional. Ebola - 2019 a 2020 | 2014 a 2016 Surto de ebola na Guiné. — Foto: AFP / SEYLLOU Antes do surto atual, já houve duas emergências internacionais pelo vírus Ebola. A última foi decretada em julho de 2019 devido a um surto também na República Democrática do Congo (RDC) e chegou ao fim em junho do ano seguinte. A anterior foi o surto de maior magnitude que ocorreu na África Ocidental, instaurada entre agosto de 2014 e março de 2016. Ao longo de 28 meses, foram registrados 28,7 mil casos e 11,4 mil mortes, com temores de que a doença se espalharia para outros continentes e países. Zika - 2016 Mosquito Aedes aegypti, transmissor de dengue, zika e chikungunya. — Foto: NIAID Em fevereiro de 2016, em meio ao aumento de distúrbios neurológicos e malformações fetais devido à infecção de gestantes pelo vírus da Zika, transmitido pelo Aedes aegypti, a OMS decretou um cenário de emergência internacional. O status chegou ao fim em novembro do mesmo ano. Gripe suína - 2009 a 2010 A infecção humana causada pelo vírus influenza A(H1N1)v é conhecida como 'gripe suína' — Foto: Freepik Alguns anos antes, em outro cenário que envolveu fortemente o Brasil, a OMS instaurou emergência de saúde pública internacional devido aos casos de gripe suína H1N1. A doença recebeu esse nome por ser uma nova versão do Influenza que infectava pessoas, porcos e aves. O surto deixou cerca de 284 mil mortos, e a cepa H1N1 se tornou uma das que causam a gripe sazonal hoje. A emergência foi decretada pela OMS em abril de 2009 e durou até agosto de 2010. Poliovírus - 2014 até agora Vacinação contra a póliomelite People — Foto: Márcio Alves / Agência O Globo A pólio é uma doença viral antiga que causa paralisia infantil e foi erradicada em muitos países, como no Brasil, graças à vacinação. No entanto, frente à manutenção da transmissão internacional do patógeno, a OMS decidiu declarar uma emergência em maio de 2014, que continua em vigor até hoje. A medida é parte dos esforços para erradicar a doença do planeta.
Ebola: casos sobem para quase 600, e OMS espera que número aumente
Estágio mais alto de alerta da organização foi instaurado no fim de semana em meio ao surto do vírus que já acumula quase 600 casos e 140 mortes suspeitas na República Democrática do Congo e em Uganda











