Em meio às galerias de arte espalhadas pelo bairro de Tribeca, em Nova York, um letreiro chama a atenção. Está escrito: "Sala Memorial de Leitura Donald Trump e Jeffrey Epstein". Pessoas se enfileiram na porta, apresentam um QR Code e entram no local.

A exposição temporária reúne pilhas de documentos que ocupam prateleiras do chão ao teto. São 3,5 milhões de páginas de arquivos liberados pelo Departamento de Justiça dos EUA sobre Jeffrey Epstein — o financista condenado por abuso sexual que morreu em 2019 em uma prisão federal.

O projeto é uma iniciativa do Institute for Primary Facts, organização sem fins lucrativos sediada em Washington que atua em defesa da transparência pública. Para visitar a exposição, é necessário fazer um cadastro no site, e o endereço exato —por razões de segurança— só é enviado 24 horas antes do horário agendado.

"Estamos sentados em uma sala com mais de 7 toneladas de evidências de um dos piores crimes da história americana", afirmou David Garrett, fundador do instituto, em entrevista à Folha. Segundo ele, a exposição nasceu da percepção de que os documentos divulgados pelo governo não receberam a atenção pública que mereciam.

O objetivo declarado é duplo: pressionar o governo americano a divulgar mais informações sobre o caso e dar visibilidade à relação entre o financista e Trump. Por isso, além das cópias dos documentos expostas no local, há uma longa linha do tempo que retrata a relação entre os dois.