Autoridades do Departamento de Justiça dos EUA se comprometeram a não dar prosseguimento a ações de cobrança de impostos e auditorias contra o presidente Donald Trump, sua família e seus negócios, como parte de um acordo para que o republicano retirasse um processo em que cobrava uma indenização de US$ 10 bilhões da Receita Federal americana (IRS). O compromisso consta em um documento de uma página publicado de forma discreta no site do Departamento de Justiça, assinado pelo titular interino do órgão, Todd Blanche, segundo reportagem do jornal americano New York Times. "Os Estados Unidos liberam, renunciam, absolvem e desobrigam para sempre cada um dos autores da ação e ficam, por meio deste, para sempre impedidos e proibidos de processar ou perseguir toda e qualquer reivindicação", escreveu Blanche no documento, em relação ao processo apresentado em janeiro por Trump e dois de seus filhos, Donald Trump Jr. e Eric Trump, além da Trump Organization. Trump concordou em retirar a ação contra o IRS em troca da criação de um fundo de compensação de quase US$ 1,8 bilhão para beneficiar pessoas consideradas alvos de investigações ou processos injustos abertos pelo governo durante o mandato do democrata Joe Biden. O presidente, dois de seus filhos e a empresa da família processaram o IRS em US$ 10 bilhões, alegando que a agência deveria ter feito mais para impedir que um ex-funcionário do órgão divulgasse a declaração de imposto de renda de Trump ao NYT e à ProPublica durante o primeiro mandato do republicano. A proteção contra auditorias do IRS pode representar um benefício financeiro significativo para a família Trump. Em 2019, foi revelado que uma eventual derrota do presidente em uma ação do Fisco poderia lhe custar mais de US$ 100 milhões, segundo o NYT. Ainda não está claro se essa fiscalização foi finalizada ou se o mandatário, bem como seus familiares e empresas associadas, enfrentam outros processos. Segundo regras do IRS, as declarações fiscais do presidente devem passar por auditoria anual obrigatória. Além disso, a legislação proíbe que o presidente, o vice-presidente e integrantes do Executivo determinem à Receita o início ou encerramento de auditorias específicas. Um porta-voz do Departamento de Justiça dos EUA disse ao jornal britânico Financial Times que a decisão de impedir o IRS dar prosseguimento a processos contra Trump se aplica "apenas a quaisquer auditorias existentes". O fundo de US$ 1,8 bilhão criado pelo governo pagará indenizações a pessoas que demonstrarem terem sido vítimas de suposta perseguição política durante o governo Biden. O mecanismo, amplamente criticado pelos democratas, é sem precedentes e pode beneficiar aliados de Trump.