O Reino Unido permitirá a importação de diesel e combustível de aviação refinados no exterior a partir de petróleo russo. A medida cria uma exceção às sanções em meio à disparada dos custos de combustíveis, impulsionada em parte pela guerra no Oriente Médio. Na segunda-feira, os Estados Unidos tomaram uma decisão semelhante ao optarem por uma flexibilização das sanções permitindo compras de petróleo russo transportado por via marítima. O objetivo é apoiar países vulneráveis em energia afetados por interrupções de oferta ligadas ao conflito com o Irã e ao fechamento do Estreito de Ormuz. Críticos da decisão americana afirmam que a extensão das flexibilizações permite ao Kremlin ampliar receitas e financiar a guerra na Ucrânia. O petróleo Brent era negociado nesta terça-feira próximo de US$ 110 por barril, perto das máximas recentes, refletindo preocupações com interrupções nos fluxos pelo estreito. O aumento dos custos dos combustíveis vem afetando a economia global, com os preços do querosene de aviação disparando nos últimos meses e pressionando companhias aéreas, para as quais o combustível pode representar até um quarto dos custos operacionais. Empresas aéreas ao redor do mundo responderam com aumento de tarifas, cortes de capacidade e alertas sobre queda nos lucros. Os valores mais altos de combustíveis também intensificaram a pressão sobre o custo de vida no Reino Unido, enquanto o governo tenta conter a inflação e preocupações relacionadas à acessibilidade da energia. Dados oficiais divulgados nesta terça-feira também mostram desaceleração do mercado de trabalho britânico, com queda nas folhas de pagamento e nas vagas de emprego, à medida que a guerra com o Irã pesa sobre as perspectivas econômicas. A licença emitida nesta terça-feira concede exceções para combustíveis processados em outros países, mas inclui exigências como manutenção de registros pelas empresas envolvidas. As novas regras entram em vigor na quarta-feira e terão duração indeterminada, embora possam ser revisadas, alteradas ou revogadas periodicamente, informou o governo em comunicado. O Tesouro britânico não respondeu imediatamente a pedidos de comentário adicional. As sanções ocidentais buscam reduzir as receitas energéticas da Rússia desde a invasão da Ucrânia, mas o petróleo russo continua chegando aos mercados globais, muitas vezes, por intermédio de terceiros. Grandes volumes são enviados para países como Índia e Turquia, onde são refinados e reexportados, dificultando a aplicação das sanções, já que combustíveis refinados normalmente não são classificados como de origem russa pelas regras comerciais. Separadamente, o Reino Unido também emitiu nesta terça-feira uma licença temporária permitindo o transporte marítimo de gás natural liquefeito (GNL) dos projetos russos Sakhalin-2 e Yamal, além de serviços relacionados — incluindo transporte, financiamento e corretagem — dentro das regras de sanções contra Moscou. A autorização valerá até 1º de janeiro do próximo ano. O Sakhalin-2, localizado no extremo leste da Rússia, e o Yamal LNG, no Ártico, estão entre os maiores projetos exportadores de gás do país. A japonesa Taiyo Oil afirmou no início de maio que sua refinaria deve receber uma carga proveniente do projeto Sakhalin-2, enquanto busca alternativas diante das interrupções de fornecimento vindas do Golfo. O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelenskiy, visita o primeiro-ministro do Reino Unido, Keir Starmer — Foto: Jason Alden/Bloomberg