A história dos cinco mergulhadores italianos que morreram em uma caverna subaquática nas Maldivas na semana passada ganhou o noticiário nos últimos dias. O grupo desapareceu durante uma expedição em águas profundas na semana passada, e só dois corpos foram resgatados até então, segundo autoridades locais. O caso reacendeu o interesse — e os alertas — sobre esses ambientes submersos conhecidos por suas passagens estreitas, baixa visibilidade e alto índice de fatalidades, que podem pegar desprevenidos até mesmo os mais experientes. Um dos pontos de mergulho mais famosos do mundo fica localizado na costa do Mar Vermelho, em Dahab, no Egito. Trata-se do "Buraco Azul", um sumidouro subaquático com cerca de 120 metros de profundidade, e cuja superfície é marcada por uma formação circular de cerca de 25 m de diâmetro, rodeada por corais. O local também tem a macabra reputação de ser o local de mergulho mais fatal conhecido, o que já lhe rendeu o apelido de "Cemitério dos Mergulhadores". Não há registros oficiais de quantas pessoas já morreram no local, embora alguns relatos conhecidos de mergulhadores experientes citem algo em torno de 150 casos. A reputação controversa do local se dá por conta do "Arco", localizado a 52 metros de profundidade. A passagem é um túnel traiçoeiro de 26 metros de comprimento cujo teto fica a 55 metros de profundidade, que leva ao mar aberto. Mergulhadores experientes relatam que a experiência de atravessá-lo é de tirar o fôlego, mas que deve ser feita com os devidos cuidados, pois a profundidade pode ser desorientadora até mesmo para profissionais. Poço de Jacó, EUA Poço de Jacó, no Texas — Foto: TerraFrost / WikiMedia Commons Outro ponto famoso de mergulho fica situado no Texas, nos EUA. Chamado Poço de Jacó, essa nascente de água doce atrai por suas águas cristalinas e sua beleza natural. A abertura na superfície é pequena, algo em torno de 4 metros de diâmetro apenas, mas que esconde abaixo de si um complexo sistema de cavernas subterrâneas estreitas. A principal caverna tem cerca de 36 metros de profundidade e reúne diversos riscos, como uma saída "falsa", capaz de desorientar até profissionais experientes. Outro perigo é o chamado "Canal do Nascimento", uma passagem estreita que obriga os mergulhadores a retirarem os cilindros de ar para atravessá-la. A forte correnteza e o fato de a travessia completa poder durar até cinco horas tornam o percurso ainda mais arriscado. Segundo o jornal local Houston Chronicle, ao menos 12 pessoas já morreram mergulhando no poço. Entre os casos mais conhecidos está o de dois jovens texanos que ficaram presos em uma das cavernas em 1979 e morreram afogados. Os restos mortais de um deles foram retirados em 1981, enquanto o outro permaneceu no local até uma operação de resgate realizada somente em 2000. Atualmente, banho e mergulho estão proibidos por tempo indeterminado devido aos baixos níveis de água e à redução do fluxo da nascente, segundo o Condado de Hays. Sumidouro Ninho da Águia, EUA Sumidouro Ninho da Águia, na Flórida — Foto: Reprodução do YouTube / Wes Lovelace Alguns o consideram como o "Monte Everest" do mergulho em cavernas, outros ignoram o aviso de uma placa com a figura da Morte afixada debaixo d'água na entrada da fenda e se aventuram ali. Trata-se do Sumidouro Ninho da Águia, um lago aparentemente comum na pantanosa Área de Preservação da Vida Selvagem de Chassahowitzka, na Flórida. O sumidouro, porém, esconde um amplo sistema de canais e labirintos submersos, atingindo uma profundidade de cerca de 90 metros. A descida até o Ninho acontece por uma espécie de "chaminé" que leva a uma grande caverna conhecida como "Salão Principal". A partir dali, descrevem mergulhadores experienntes, o sistema se ramifica em túneis e fendas ainda mais profundos. Um dos perigos no percurso é o deslocamento constante de sedimentos, que reduz a visibilidade dentro das cavernas. Segundo relatos do jornal local Tampa Bay, ao menos 12 mergulhadores morreram no local desde 1981. Atualmente, todos os visitantes precisam preencher um formulário de registro on-line e assinar um termo de responsabilidade antes de cada mergulho. Cenote Esqueleto (Templo da Perdição), México Cenote Esqueleto, ou "Templo da Perdição", no México — Foto: Wikimedia Commons Por último, outro local muito citado entre os mais populares (e arriscados) para megrulho é o Cenote Esqueleto, também conhecido como Templo da Perdição. Localizado na Península de Yucatán, no México, o local abriga uma rede de cavernas e túneis intrincados que chegam a uma profundidade máxima de aproximadamente 16 metros. Seu nome deve-se às três aberturas em seu teto de calcário, que lembram dois olhos e uma boca de caveira vistas de cima. Além disso, o chão de suas duas câmaras estão repletos de ossos humanos. Segundo relatos de mergulhadores, o maior risco no local é a transição da zona onde a luz solar natural é visível para as áreas dentro das grutas. Uma vez dentro delas, o ambiente torna-se um espaço vertical sem subida direta até a superfície. A desorientação por passagens estreitas e completamente escuras, muitas vezes agravada pelo lodo, que reduz a visibilidade a zero, pode levar rapidamente à falta de ar e à morte. Além disso, a presença da haloclina, camada vertical onde a água doce e a água salgada se encontram, também pode causar distorção visual e vertigens. Em 1995, três mergulhadores morreram após se aventurarem além dos limites de segurança explorando o cenote, esgotando seus suprimentos de ar antes de conseguirem emergir.