O presidente da Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado, Renan Calheiros (MDB-AL), afirmou nesta terça-feira que Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, realizou 24 visitas ao Banco Central apenas durante a gestão de Roberto Campos Neto, que terminou em 2024. Segundo o senador, os encontros somaram 21 horas e 45 minutos de permanência na instituição. Calheiros, afirmou que a reunião mais longa de Vorcaro foi 30 de outubro de 2024, das 9 horas até 12h38, totalizando 2 horas e 44 minutos dentro do BC. Segundo ele, os dados foram obtidos via Lei de Acesso à Informação (LAI). O senador disse ainda que o escândalo financeiro envolvendo o Banco Master é o "maior do planeta". A afirmação foi feita durante audiência na CAE com o atual presidente do BC, Gabriel Galípolo. Em resposta a Calheiros, Galípolo disse que não participou da maior parte das reuniões envolvendo o caso Master porque, até dezembro de 2024, ocupava a diretoria de Política Monetária e não estava envolvido diretamente no tema. Ainda assim, reiterou que a frequência das reuniões refletiu as particularidades do caso Master, que, segundo ele, demandava uma atenção mais intensa por parte da instituição. “É super comum que bancos que estejam em dificuldade tenham reuniões longas e extensas”, disse Galípolo. O presidente do BC também afirmou que vem surgindo uma série de comunicações sobre o caso Master que indicariam um cenário de certo “asfixiamento financeiro” do grupo. Segundo ele, o processo conduzido pelo Banco Central buscou justamente permitir um acompanhamento mais próximo da situação. Galípolo citou que, ao longo de 2025, o Master registrou captação líquida negativa de R$ 11,5 bilhões. A captação líquida com cobertura do Fundo Garantidor de Crédito (FGC) ficou negativa em R$ 9 bilhões, enquanto houve um aporte de R$ 2,5 bilhões. Galípolo afirmou ainda que seria preciso “não ter TV a cabo ou acesso à internet” para concluir que o Banco Central trabalhou para viabilizar a venda do Master ao Banco de Brasília (BRB). “Aliás, queria agradecer a imprensa. Porque confesso que se não fosse o jornalismo profissional, dificilmente eu estaria sentado nessa mesa. Poucas vezes eu vi uma reação tão rápida e virulenta contra decisões de uma instituição como o Banco Central como a rejeição da compra do BRB e a liquidação do Master”, disse Galípolo. Ele reforçou que o Banco Central não tem que reagir à pressão. Disse ainda que a autoridade monetária e seus servidores foram expostos e caluniados sistematicamente nas ruas de Brasília porque não aceitaram a venda ao BRB. “Coincidentemente, na semana em que o BC rejeitou compra do BRB foi colocada proposta de voto para mandar embora o presidente do BC e seus diretores. Então, o que houve por parte do BC foi resistência técnica para olhar e analisar o projeto e entender que não era viável aquela compra”, disse. O presidente afirmou ainda que a atuação do FGC no caso foi correta e fundamental. Segundo ele, o fundo agiu de forma inteligente ao honrar os pagamentos que estavam vencendo. Ele aproveitou a ocasião ainda, ao ser questionado, que em novembro de 2024, antes de assumir o comando do BC, o Master já havia recebido um prazo de seis meses para se adequar aos critérios de governança, capital e liquidez. Senador Renan Calheiros (MDB-AL), presidente da CAE do Senado — Foto: Andressa Anholete/Agência Senado
Vorcaro fez 24 visitas ao BC só na gestão Campos Neto, diz Calheiros
Segundo o presidente da CAE, os encontros somaram 21 horas e 45 minutos de permanência na instituição













