Com o satélite SMILE da Agência Espacial Europeia (ESA), cujo lançamento está previsto para terça-feira, será possível observar pela primeira vez o confronto entre os ventos solares e o escudo magnético da Terra.SMILE – sigla de Solar wind Magnetosphere Ionosphere Link Explorer – é uma missão preparada e desenvolvida em colaboração com a Academia Chinesa das Ciências (ACS).Na terça-feira, às 05h52 de Paris (04h52 em Lisboa), o satélite partirá do centro espacial de Kourou, na Guiana Francesa, a bordo do Vega-C, o lançador ligeiro da ESA. Inicialmente previsto para 9 de Abril, o lançamento foi adiado por razões técnicas."O que queremos estudar com o SMILE é a relação entre a Terra e o Sol", explica Philippe Escoubet, cientista do projecto na ESA.Os ventos solares têm origem nas ejecções de massa coronal (CME, na sigla em inglês) que ocorrem à superfície do Sol. Estas ejecções de plasma provocam fluxos de partículas que se propagam até à Terra a velocidades que podem atingir os dois milhões de quilómetros por hora.Ao entrarem em contacto com o campo magnético do planeta, que funciona como um escudo, estes fluxos são em grande parte desviados. Porém, quando os ventos são intensos, partículas carregadas penetram na atmosfera terrestre e interagem com as partículas atmosféricas, dando origem ao conhecido fenómeno das auroras boreais.Ao detectar a radiação X emitida quando as partículas carregadas do vento solar interagem com partículas neutras da alta atmosfera terrestre, os investigadores poderão estudar pela primeira vez, a partir do espaço, o escudo protector da Terra.Graças ao SMILE, os investigadores poderão observar este fenómeno em dois locais privilegiados: a magnetopausa, isto é, a região onde o escudo do campo magnético desvia os ventos solares, e também os cornetos polares, acima dos pólos, onde são visíveis os fotões de raios X, explica Dimitra Koutroumpa, investigadora do LATMOS, o laboratório Atmosferas e Observações Espaciais do Centro Nacional de Investigação Científica francês.