Dezenas de estudantes de várias escolas de Lisboa saíram na sexta-feira às ruas para encerrar uma “semana de acções” do movimento “Fim ao Fóssil”, marchando por várias avenidas da capital até ao Campo Pequeno.Em frente à sede do Governo, juntaram-se a professores, médicos, investigadores, artistas e outros apoiantes numa concentração que apelou à sociedade para “transformar o luto das notícias catastróficas actuais” em “luta pelo futuro, pelo clima, pela paz, pela saúde, pela habitação”.A iniciativa foi convocada pelos colectivos Climáximo e Greve Climática Estudantil, dois dos principais grupos que compõem o movimento “Fim ao Fóssil”, e contou com a subscrição de uma dezena de organizações.
Estudantes da Escola Secundária Vergílio Ferreira em manifestação pelo "Fim ao Fóssil"
DR Fim ao Fóssil
Uma semana de acçõesA semana de acções começou com uma acção na fachada da empresa de armamento Thales, em Oeiras, pintada de vermelho na segunda-feira e classificada pelos activistas como “genocida”.No dia seguinte, os activistas bloquearam a Avenida Gago Coutinho, em Lisboa, durante meia hora com uma faixa evocando as tempestades que destruíram a A1, apelando à sociedade para “não ignorar a crise climática e as pessoas atingidas por esta”. Na quarta-feira, profissionais de saúde pintaram um mural no Hospital Curry Cabral com a mensagem “cuidamos da vida, cuidando do planeta”.No dia anterior à manifestação, os activistas recolheram alimentos e produtos essenciais num supermercado Continente sem pagar, redistribuindo os bens “por quem precisava”. Em declarações ao Observador, a Sonae MC empresa diz que “na sequência dos furtos registados [no] dia 14 de Maio, na loja Continente Bom Dia Lisboa, na Avenida da República, a MC confirma que vai apresentar queixa junto das autoridades competentes”, sem acrescentar mais pormenores sobre a queixa.“Livro-me de armas, armo-me de livros”Na tarde de sexta-feira, os estudantes partiram das escolas secundárias António Arroio, Vergílio Ferreira e Liceu Camões, encontrando-se na Alameda D. Afonso Henriques antes de marcharem em conjunto até ao Campo Pequeno.Durante o percurso, descrevem em comunicado, ocuparam a Avenida Almirante Reis durante meia hora e a rotunda do Areeiro por mais de uma hora, com discursos e palavras de ordem como “livro-me de armas, armo-me de livros” ou “fim ao fóssil até 2030”.A concentração, que reuniu dezenas de pessoas, incluiu uma assembleia popular e a participação de colectivos de solidariedade com a Palestina. O dia 15 de Maio assinala a Nakba palestiniana, referida pelo movimento como “uma catástrofe para a Humanidade que continua até hoje e que não podemos aceitar”.“Transformar a raiva em acção conjunta”Sara Gaspar, uma das porta-vozes do Climáximo, traçou um quadro sombrio das crises simultâneas que motivam o protesto. “As notícias não dão tréguas e os ataques às nossas vidas diárias não páram: as guerras iniciadas por impérios sedentos de petróleo fazem milhares de vítimas inocentes, o genocídio na Palestina continua, enquanto que por cá os preços aumentam, o Governo ataca as leis laborais, e os jovens são incentivados a irem para a guerra em nome de uma ‘democracia’”, afirmou.Para a jovem, “eles — os governos, as empresas petrolíferas e de armamento — somam lucros”, enquanto “nós — as pessoas comuns de todo o mundo — sofremos os impactos”, concluindo que “é hora de transformarmos a raiva, impotência e frustração que todos sentimos quando vemos as notícias em luta e acção conjunta para desmantelar este sistema e construir o mundo justo e solidário que queremos”.José Borges, estudante no Liceu Camões e porta-voz da Greve Climática Estudantil, foi igualmente assertivo: “Para conseguirmos travar a barbárie e o colapso, precisamos do fim dos combustíveis fósseis até 2030 e de transformar este sistema para construir a paz, a justiça e a solidariedade entre os povos. Não seremos carne para canhão em guerras que só defendem os interesses das elites. Não aceitaremos viver num mundo destruído pelas petrolíferas. Queremos um futuro e vamos lutar por ele!”Próximos passosNa assembleia popular, o movimento anunciou os próximos passos, como a participação colectiva em acções de justiça climática na Europa, para fortalecer “um movimento que é internacional”, e um acampamento estudantil de “Regresso à Luta” em Setembro.Na próxima segunda-feira haverá ainda uma reunião introdutória e, a 30 de Maio, uma formação sobre o “Fim ao Fóssil” aberta a “todos aqueles que querem lutar pelo presente e pelo futuro”.O movimento avisou ainda que “este Verão será de extremos”, prometendo nas próximas semanas “respostas rápidas, solidárias e combativas às mais que prováveis ondas de calor e incêndios” e apelando a que quem queira participar “entre em contacto através das redes sociais ou do sítio da Internet”.







