Da rua aos céus, a resistênciaNum bloco de gelo suspenso por uma grua, a 40 metros de altura, um ser humano tenta equilibrar-se. O gelo vai derretendo. O que sobrará ao ocaso? É o que Santa Maria da Feira vai saber, de olhos postos nos céus, ao fim de oito horas, quando terminar Thaw, a performance-alegoria sobre alterações climáticas — “não há tempo a desperdiçar” — que os Legs on the Wall traz a um Imaginarius movido pela Resistência.É o espectáculo que abre a 25.ª edição do festival, este ano rebaptizado como Festival de Artes Performativas em Espaço Público, no lugar de Festival Internacional de Teatro de Rua. A companhia austríaca é uma entre mais de 40, vindas de 16 países, a dar espectáculo, num total de 200 artistas participantes.Sobressaem ADN, Odyssée Verticale, peça de teatro aéreo fundido com ópera electrónica pelo franceses Transe Express; a confiança coreografada pelo grupo inglês Joli Vyann em Drop Me If You Dare; Mamil(a)s em “fricção directa com a cidade” pelo brasileiro Desvio Coletivo; a “resistência capilar” patente em Virulana, de Lucía Merlino; ou, no encerramento, a música da dupla alemã Pølaroit.
Memórias a dois temposGalerias, salas de teatro, casas de lisboetas… Até o Planetário entra na rota do 24.º Temps d’Images, o festival dos cruzamentos artísticos onde “a memória, a intimidade e a imagem se entrelaçam como matérias instáveis, em constante reinvenção”, explica a organização. Divide-se, como vem sendo hábito, em dois momentos: o primeiro, agora; o segundo, em Outubro.Para já, conta com a performance Quando os Anjos Falam de Amor, que vai a casas particulares contracenar com quem as habita (e exibe o respectivo documentário). Sob a abóbada estrelada, entra no Hotel Paradoxo de Alex Cassal. Duas Ratas, de Rafa Jacinto e Carolina Cunha e Costa, desafia papéis de género.João Fiadeiro e Aline Belfort apresentam o road movie Pele Nómada. Tiago Cadete deixa um Souvenir sobre migração. Bibi Dória leva Cão de Sete Patas em imersão no filme Copacabana Mon Amour. A Urso Pardo estreia Retroceder. Ao Longe, o Fim do Mundo gravita sobre terraplanismo. E o colectivo SillySeason clama pel’O Direito do Mais Fraco à Liberdade.








