Para refletirmos sobre suplementos alimentares, talvez devamos começar por onde quase nunca se começa: pelo contexto. Não estamos a viver no mesmo mundo em que vivíamos há 50 anos. Conquistámos mais anos de vida, a esperança média de vida aumentou, a medicina avançou de forma extraordinária e sobrevivemos hoje a muitas doenças que antes seriam fatais. Mas esta vitória trouxe-nos outro desafio: viver mais anos não significa, necessariamente, viver melhor, com saúde. Todos, hoje, sabemos que longe disso.As doenças com maior peso na saúde pública atual são, em larga medida, doenças crónicas: obesidade, diabetes, doenças cardiovasculares, cancro, demências, doenças inflamatórias e metabólicas, autoimunes. São doenças que se instalam lentamente, muitas vezes durante décadas, e que resultam de trajetórias biológicas, ambientais e comportamentais. Custam muito ao país, às famílias e a cada pessoa. Custam em consultas, medicamentos, exames, internamentos, dependência, perda de produtividade, absentismo, sofrimento e perda de qualidade de vida.A pandemia veio ainda lembrar-nos algo que talvez tivéssemos esquecido: somos biologicamente vulneráveis. Perante a mesma ameaça infeciosa, algumas pessoas tiveram quadros assintomáticos, outras, quadros severos, outras morreram. Naturalmente, isto não se explica por uma só variável. Mas tornou evidente que o estado metabólico, nutricional, inflamatório e imunitário de cada pessoa importa. Importa antes de a doença aparecer. Importa quando a doença chega. Importa também na recuperação.Mais, se conquistamos mais anos também porque descobrimos no passado os antibióticos e as vacinas, relativamente a novos vírus, a novas ameaças, o melhor mesmo é o nosso sistema imunitário estar robusto. Vivemos na falsa verdade que a nossa imunidade são as vacinas. Estas foram e são muito importantes, mas a nossa imunidade não pode estar assente só nas vacinas. Às tantas parece. E claro, mais uma vez não se discute os temas de forma moderada, ou se é a favor ou se é contra. Claramente não deve haver discussão sobre as vacinas. Claramente, são uma ferramenta crucial, mas a imunidade, sobretudo a inata, precisa de estar bem, em alerta, mas não em exaustão.