Neste sábado, o Benfica teve, provavelmente, a vitória menos saborosa da temporada. Foi um resultado confortável no Estoril (1-3) para fechar o campeonato e, acima disso, um desempenho globalmente bem conseguido numa primeira parte demolidora. Acaba, portanto, a I Liga sem a culpa de quem falhou no que lhe competia na última ronda.Mas valeu de alguma coisa? Nem por isso. Metade do milagre tinha de ser feito ali, na Amoreira, mas a outra metade tinha de chegar de Alvalade – mas nunca chegou.A equipa “encarnada” terminou o campeonato no terceiro lugar e é o Sporting quem vai à Liga dos Campeões em 2026/27.Sistema híbridoO Estoril apareceu neste jogo com um sistema táctico muito variável. Havia um 5x4x1 em defesa baixa, com Xeka a recuar para central, mas também havia 4x4x2 losango em defesa alta e em momento ofensivo.A ideia tinha algumas virtudes. O 4x4x2 losango é um sistema muito difícil de utilizar no momento defensivo, já que “oferece” jogo aos laterais adversários. Os médios interiores abrem espaço no meio se saírem e dão espaço nos corredores se ficarem presos ao losango. Por isso, a descida de Xeka para central tinha a virtude de alargar a defesa do Estoril, tirando, em teoria, espaço nos corredores para o um contra um.O problema é que isto tem de ser feito com coordenação quase perfeita, já que passar de 4x4x2 losango para 5x4x1 não é simplesmente baixar um médio e tudo o resto fica igual. E pareceu haver algum desconforto no Estoril.Sem bola, porque nem sempre sabiam onde andava Xeka. Com bola, porque o Benfica estava intenso a mover vários jogadores para o local da bola, abafando as vias de passe interior – Pizzi, no último jogo da carreira, teve pouca bola.Xeka foi útil à equipa erradaVoltando a Xeka, o médio do Estoril acabou por estar na berlinda, tendo participação directa nos três golos do Benfica – marcados em 17 minutos.Aos 7’, Ríos criou um engodo ao lateral Ricard Sánchez, que se comprometeu com a zona interior e deixou mais corredor a Schjelderup. Com o momento que o norueguês atravessa isso é pedir problemas – o ala cruzou para finalização de Ríos ao segundo poste, aproveitando que Xeka estava “a dormir”.Nota para um detalhe curioso: Ricard estava provavelmente ciente de que Schjelderup gosta de vir da esquerda para o meio, usando o pé direito, pelo que este foi um caso em que o trabalho de casa prejudicou: Schjelderup foi para fora e cruzou de pé esquerdo, algo nem sempre habitual.Aos 15’, Schjelderup ganhou em canto em mais um lance individual e houve cruzamento de Prestianni, desvio de Tomás Araújo ao primeiro poste e Bah a finalizar ao segundo – novamente Xeka atento a não se sabe bem o quê.