O ex-presidente do Banco de Brasília (BRB) Paulo Henrique Costa, investigado no caso envolvendo as fraudes no Banco Master, deve entregar uma proposta inicial do seu acordo de colaboração premiada em junho. Segundo interlocutores, a atuação da defesa para começar a organizar os anexos da delação deve se iniciar na próxima semana, com a assinatura do termo de confidencialidade. A partir disso, os advogados de Costa devem passar a se reunir com ele para começar a organizar as informações e reunir os temas sobre os quais ele pretende falar às autoridades. A informação foi publicada pelo jornal “O Globo” e confirmada pelo Valor. Ainda segundo a reportagem, o ex-presidente do BRB teria sinalizado que a intenção de indicar o caminho do dinheiro no Brasil e no exterior. Na semana passada, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça autorizou a transferência de Costa para a "Papudinha", como é chamado o 19º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal, onde condenados como o ex-presidente Jair Bolsonaro ficaram presos. Na ocasião, a leitura foi de que isso permitiria o avanço sobre as tratativas sobre uma delação entre a defesa e o investigado, uma vez que, após os advogados sinalizarem que o executivo tinha o interesse em cooperar com as autoridades, solicitou que ele fosse transferido do Complexo Penitenciário Federal da Papuda, em Brasília, lugar que não tinha as condições adequadas para tratarem do tema. Se o termo de confidencialidade for assinado com a Polícia Federal (PF) e a Procuradoria-Geral da República (PGR), dá-se o primeiro passo para negociar o acordo. O objetivo do termo é garantir o sigilo das tratativas. O mesmo caminho foi tomado pelo dono do Master, Daniel Vorcaro, em março, quando ele começou a preparar a sua delação, entregue em maio. Caso as tratativas avancem e a proposta de delação seja entregue, as autoridades deverão analisar o seu conteúdo para verificar se as informações que ele pretende oferecer vão colaborar com as investigações. Se entenderem que sim, a proposta deve ser homologada por Mendonça. O ex-presidente do BRB foi preso em 16 de abril, na quarta fase da Operação Compliance Zero. Ele é suspeito de receber suborno na forma de imóveis avaliados em R$ 146 milhões para facilitar negócios fraudulentos com o Banco Master. A expectativa é que o acordo de Costa, se avançar, possa implicar o ex-governador do Distrito Federal Ibaneis Rocha (MDB). Uma mensagem apreendida cita o ex-governador. Nela, Costa diz a Vorcaro que Ibaneis pediu a elaboração de “material” para defender a compra do Master pelo BRB. Na ocasião, a defesa do ex-governador, liderada pelo advogado Carlos de Almeida Castro, o Kakay, negou irregularidades. “O ex-governador não acompanhava, não pressionou e tampouco teve qualquer ingerência em operações realizadas”. Paulo Henrique Costa, ex-presidente do BRB, está preso na Papudinha, em Brasília — Foto: André Coelho/Valor