Com a ajuda do ChatGPT, Tom Millar acreditou desvendar todos os segredos do universo, como Albert Einstein sonhava, e depois, aconselhado pelo assistente virtual de inteligência artificial, chegou até a pensar em se tornar papa, perdendo ainda mais o contato com a realidade.

"Eu me candidatei para ser papa", conta à AFP este canadense de 53 anos, ex-agente penitenciário, hoje atônito diante da situação que viveu e que significou um dramático retorno à realidade.

Tom Millar passava até 16 horas por dia conversando com o chatbot dotado de inteligência artificial. Foi internado duas vezes, contra sua vontade, em um hospital psiquiátrico, antes de sua mulher abandoná-lo em setembro.

Agora, separado de sua família e de seus amigos, mas livre da ideia de ser um gênio das ciências, Millar sofre de depressão. "Simplesmente arruinou minha vida", afirma.

Millar é um exemplo dessas pessoas —cujo número é desconhecido— que perderam o contato com a realidade através de suas interações com chatbots. Fala-se em "delírio ou psicose induzidos pela IA", embora não se trate de um diagnóstico clínico.