Preso nesta quinta-feira (14), na sexta fase da Operação Compliance Zero, Henrique Vorcaro, pai do banqueiro Daniel Vorcaro, construiu uma reputação polêmica em Belo Horizonte no setor imobiliário. Muito antes de seu filho ter adquirido o Banco Master, Henrique tinha virado notícia em 2011, em Minas Gerais, ao lançar um grande empreendimento numa área degradada de Belo Horizonte. O projeto foi anunciado na época como o futuro hotel mais luxuoso do Estado. Mas nunca foi concluído e deixou dívidas até hoje em aberto. Henrique atraiu empresas de construção e arquitetura de renome, de São Paulo e Belo Horizonte. Empresários que participaram do projeto contam que Henrique apresentava aos parceiros e investidores expectativas otimistas de alto retorno. Dois desses empresários afirmaram que diante do estilo do pai, Daniel – que mais tarde se tornaria o protagonista de um dos maiores escândalos financeiros do país, o caso Master – adotava, na época, uma postura de cautela e recomendava que Henrique não fizesse tantas promessas. Vorcaro pai tinha criado nos anos 90 o Grupo Multipar, com as empresas Vorcaro Imóveis e Centro Sul Empreendimentos. Em seu site, o grupo afirma que tem com valores “compromisso com parceiros”, “comportamento profissional” e “responsabilidade social”. Mas a imagem que o empresário projetava em Belo Horizonte era, por um lado, de um empreendedor ousado, que sonhava alto, mas que nunca chegou ao grupo de elite do setor de construção civil de Minas. Por outro lado, sua imagem inspirava atenção. Ao Valor, um ex-executivo de uma importante empresa do Estado disse que se recorda de ter sido avisado para “tomar cuidado” com eventuais negócios com Henrique Vorcaro. Quanto ao hotel, logo depois do lançamento, as obras seguiram e avançaram bastante, até que o dinheiro não foi mais suficiente. A solução, então, foi buscar socorro junto a fundos de pensão de funcionários públicos. Gestores desses fundos decidiram investir no prédio. Ao menos três fundos informaram em março ao Valor que recorrem à Justiça para reaver seus investimentos. Um deles é a Serpros Fundo Multipatrocinado, que administra a previdência dos funcionários do Serviço Federal de Processamento de Dados (Serpro). Outro é a Fundação Rede Ferroviária de Seguridade Social (Refer), que administra o fundo de pensão de funcionários de Valec, CBTU, CPTM e de outras empresas ferroviárias e de metrô. Outro fundo que recorreu à Justiça foi a Eletra (Fundação Celg de Seguros e Previdência), de Goiás, que recentemente foi incorporada pela Equatorial Energia Fundação de Previdência. Em março, Henrique Vorcaro afirmou à reportagem, por meio de um de seus advogados, que estava em conversas com duas incorporadoras interessadas em viabilizar a conclusão do projeto. Uma expectativa que – em meio à tempestade do Master e às investigações que envolviam também Henrique – parecia difícil de se concretizar. Sua prisão parece tornar ainda mais difícil salvar o negócio mais conhecido – e malsucedido – da família Vorcaro em Minas Gerais. O empresário Henrique Vorcaro, pai de Daniel Vorcaro, do Banco Master — Foto: Reprodução/LinkedIn
Antes do escândalo do filho, Henrique Vorcaro já tinha reputação polêmica em Minas Gerais
Muito antes de seu filho Daniel Vorcaro ter adquirido o Banco Master, Henrique tinha virado notícia em 2011, em Minas Gerais, ao lançar um grande empreendimento numa área degradada de Belo Horizonte, que não foi concluído e acumula dívidas











