A rede de TV americana ABC acusou a Comissão Federal de Comunicações (FCC) dos Estados Unidos de violar seus direitos de liberdade de expressão, potencialmente preparando o terreno para uma prolongada disputa judicial entre a emissora e o governo de Donald Trump.

A empresa afirmou em um documento apresentado à agência que os reguladores tiveram um "efeito inibidor" sobre a liberdade de expressão ao tentar punir conteúdo político do qual discordavam. O documento, tornado público nesta sexta-feira (8), é a defesa mais incisiva de qualquer emissora de televisão desde que Trump iniciou sua campanha de pressão contra organizações de mídia.

O documento representa uma mudança marcante da posição da ABC. A emissora, sob gestão corporativa da Disney, estabeleceu um tom inicial de conformidade a Trump quando fechou um acordo em um processo de difamação por US$ 15 milhões em dezembro de 2024, ainda que muitos especialistas considerassem improvável que o caso de Trump tivesse sucesso nos tribunais.

O texto foi registrado em nome de uma única estação da ABC em Houston, no Texas, e envolvia uma disputa regulatória menor sobre o programa de entrevistas The View. Mas, em um sinal de sua importância, a documentação da empresa foi assinada por um dos advogados mais experientes em casos na Suprema Corte do país, Paul Clement, que foi procurador-geral durante o governo do presidente George W. Bush.