‘Quando venho ao Brasil, o meu roteiro some. Eu grito pulem! E o público pula mesmo’, antecipa a americana Halsey 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Ivete Sangalo, Zara Larsson e Halsey — Foto: Ana Branco/Agência O Globo, Julie SEBADELHA/AFP, Jake Michaels/The New York Times RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você Após enfrentar graves problemas de saúde, a cantora Halsey prioriza o descanso físico. Ela promete um show energético e cinematográfico no festival. Embora as mulheres dominem a programação do último dia, a dupla Twenty One Pilots encerra a noite. O line-up destaca nomes como Lola Young e Joelma. Halsey elogiou a coragem de Lola Young ao pausar a carreira por saúde mental. A americana também destacou a forte conexão emocional com os fãs brasileiros. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO Nas palavras de Zé Ricardo, o vice-presidente da Rock World (empresa que produz o Rock in Rio) e curador master dos palcos do festival, o encerramento hoje da edição de 2026 é um dia “só de mulheres, mas com o Twenty One Pilots”. A dupla americana de rock-pop, gigante no streaming e nos palcos, cumpre o papel de fechar a noite do Palco Mundo. Mas as mulheres dominam a programação. Seja com as sensações pop Lola Young (no Mundo) e Zara Larsson (no Sunset), ou com os furacões brasileiros Ivete Sangalo (Mundo), Marina Sena e Joelma (Sunset) — e principalmente com a americana Halsey. Segunda maior atração do Palco Mundo (com apresentação marcada para as 21h30), a cantora e compositora de 31 anos, integrante do clube do bilhão do Spotify (hits como “Closer”, com os Chainsmokers, mais “Without me” e “Bad at love” bateram a marca com sobras), ela volta ao Brasil, em seu primeiro Rock in Rio, para apresentar o show “The Girl in the Tower”, em que dá uma passada pelas músicas de sua carreira, com muita guitarra, dança, chamas e empolgação — como ressalta em entrevista por Zoom ao GLOBO. — Esse show é muito energético e cinematográfico, e já vi fotos do palco para o Rock in Rio, com telões enormes. O público brasileiro é perfeito para esse tipo de espetáculo, porque estou sempre pedindo mais e mais da minha plateia. Quando venho ao Brasil, o meu roteiro some. Eu grito “pulem!” e o público grita e pula com toda força — diz ela, sabendo que preparará os ânimos do público do pop total de Zara Larsson (22h55) e do rock pirotécnico do Twenty One Pilots (0h05). Twenty One Pilots no Lollapalooza Brasil 2023 — Foto: Maria Isabel Oliveira/ Agência O Globo Antes de “Girl in the Tower”, Halsey andou pelos palcos com uma revisitação de “Badlands”, seu álbum de estreia, de 2015, um disco de pop alternativo e muito confessional, que estourou as canções “Control”, “Colors” e “Gasoline”. — Sempre quis ser uma artista alternativa, mas quando tive a oportunidade de trabalhar com produtores mais experientes e consegui mais recursos, descobri que era muito bom em fazer música pop — conta. — Fiz “Badlands” sem expectativas ou medo de julgamentos, não me preocupava com o que meu público queria ou com o que a gravadora pedia. Essa experiência de revisitar lugares difíceis me deu um impulso que precisava para lembrar de que deveria sempre fazer música sendo autêntica. Mas fiquei um pouco nervosa em apresentar um show muito pesado para um público mais jovem. Elogio a Lola Young Halsey diz entender Lola Young (com show marcado para as 19h10), inglesa de 25 anos, de canções tão confessionais quanto as suas, que decidiu fazer uma pausa na carreira em setembro de 2025 (e desmarcou sua apresentação no Lollapalooza, em São Paulo) após desmaiar no palco. Além da exaustão física, Lola também foi tratar de problemas de saúde mental. — Admiro a honestidade e a coragem dela — elogia. — Você sai do seu quarto, vai mostrar sua música para os amigos, consegue tudo o que sempre quis, mas aí enfrenta milhões de opiniões e críticas. Além do mais, na última década, o mundo também ficou tão dividido politicamente com as redes sociais... Concluí que defender aquilo em que acredito nem sempre vai ser agradável, mas não significa que eu não deva tentar. De distúrbio bipolar e endometriose a lúpus e distúrbio linfoproliferativo raro de células T, Halsey enfrentou de tudo um pouco nos últimos anos em termos de problemas de saúde. — Estou muito bem, muito melhor do que há alguns anos. Quando comecei, eu queria tanto que não ouvia meu corpo e nunca dizia não, nunca parava — revela. — Agora, percebi que preciso me acalmar, descansar, garantir que estou me alimentando bem, que meu corpo está saudável e que estou forte. Eu pensava na música, nos efeitos pirotécnicos, nas luzes, no palco, nos figurinos, e agora percebi que coisas como a alimentação, cuidar do meu corpo e ter tempo para descansar são tão importantes quanto o que acontece no palco. Halsey já disse que não sabia como interagir com um fã sem ser o melhor amigo dele. Isso mudou? — Era mais fácil no começo, quando tinha menos amigos para acompanhar, e aí a coisa foi crescendo — diz. — Não dá para ser melhor amigo de todo mundo, mas ainda tento ter um relacionamento bem íntimo e pessoal. Uma das coisas de que mais gosto é ter uma conversa de verdade com alguém que diz amar minha música, ou que minha música impactou sua vida. Ainda tento atrair fãs, surpreender as pessoas, levá-las aos bastidores, enviar presentes ou cartas. Tantas pessoas investiram tanto de si mesmas em mim, é o mínimo que posso fazer. Ela diz sentir hoje a mesma excitação que tinha pela música quando começou sua carreira. — Estou no ramo há muito tempo, uns 12 anos, já vi como as coisas acontecem em ciclos. E acho que agora estamos prestes a viver uma espécie de renascimento, talvez de uma forma muito importante. A música, assim como outras formas de arte, reflete o que acontece na cultura e na consciência das pessoas, e todos estão começando a pensar muito sobre o que significa ser humano. O que valorizamos na conexão? O que valorizamos na humanidade? — elucubra. — Quanto mais a tecnologia e as redes sociais tentam nos separar e nos dividir, é bom ver as pessoas decidindo se conectar pessoalmente, emocionalmente. Acho que há algo realmente especial, e estou animada para fazer parte disso.