O encontro, comandado pelo primeiro-ministro indiano, Narendra Modi, reúne líderes como o presidente da Rússia, Vladimir Putin, o presidente da China, Xi Jinping, e o presidente do Irã, Masoud Pezeshkian. Com países que mantêm posições bastante diferentes sobre alguns dos principais conflitos internacionais, a reunião também será um teste para a capacidade do grupo de chegar a posições comuns. Em maio, por exemplo, os ministros das Relações Exteriores do Brics não conseguiram aprovar uma declaração conjunta sobre a guerra envolvendo o Irã. Na ocasião, a Índia, que exerce a presidência do grupo, divulgou apenas um resumo das discussões. Agora, um dos principais objetivos da diplomacia indiana é conseguir que os líderes aprovem uma declaração conjunta ao fim da cúpula. Agora no g1 Comércio, moedas locais e reforma de instituições Além dos conflitos internacionais, a agenda da reunião inclui comércio, investimentos, energia, segurança alimentar, tecnologia e cadeias de suprimentos. Os líderes também devem discutir mudanças em instituições internacionais e formas de ampliar a participação dos países em desenvolvimento nas decisões globais. Outro ponto esperado é a redução da dependência do dólar nas transações entre os integrantes do grupo. Países do Brics defendem a ampliação do uso de moedas nacionais no comércio e nos pagamentos entre seus membros, além da criação ou fortalecimento de alternativas a instituições financeiras tradicionalmente lideradas por países ocidentais. Criado em 2006 por Brasil, Rússia, Índia e China, o grupo ganhou a participação da África do Sul em 2010 e, nos últimos anos, passou por um processo de expansão. Atualmente, o Brics reúne 11 países, que, juntos, representam cerca de metade da população mundial e uma parcela importante da economia global. Índia tenta equilibrar relações com Rússia, Irã e Ocidente A cúpula também evidencia a posição diplomática da Índia, que tenta manter relações próximas com Rússia e Irã ao mesmo tempo em que amplia sua parceria econômica, militar e tecnológica com Estados Unidos e países europeus. Nova Délhi preservou seus vínculos com Moscou mesmo depois do início da guerra na Ucrânia e também mantém relações estratégicas com Teerã, apesar das tensões entre o Irã e os Estados Unidos. Na sexta-feira (11), antes da abertura da cúpula, Modi se reuniu separadamente com Putin e Pezeshkian. A participação do Irã no Brics torna as discussões sobre o Oriente Médio especialmente delicadas. O país está diretamente envolvido no conflito na região, enquanto outros integrantes do grupo mantêm diferentes graus de aproximação com os Estados Unidos. As divergências aumentam a dificuldade de produzir uma posição única sobre a guerra e sobre a relação do bloco com Washington. Para a realização da cúpula, milhares de policiais e integrantes de forças paramilitares foram mobilizados em Nova Délhi. A capital indiana também adotou restrições e desvios no trânsito durante o encontro.