Pesquisas mostraram empate consolidado entre os dois principais candidatos, mexendo nos humores das militâncias e forçando uma reação na campanha governista 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Lula em propaganda eleitoral e Flávio Bolsonaro em evento na Avenida Paulista — Foto: Reprodução e Maria Isabel Oliveira/Agência O Globo A liberação dos sigilos das investigações em torno do Banco Master, que já produziu notícias negativas para o principal candidato da oposição, Flávio Bolsonaro, dá à campanha à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva algum respiro no fim de uma de suas piores semanas. Os dados mais recentes de pesquisas públicas e os trackings internos das duas campanhas mostraram, nos últimos dias, o pior momento de Lula no ano desde março e abril, quando o presidente começou a acelerar medidas econômicas e, em seguida, foi beneficiado pelas acusações contra Flávio Bolsonaro no caso Dark Horse. Na ocasião, o senador foi flagrado cobrando dinheiro do banqueiro Daniel Vorcaro para a cinebiografia de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro. O noticiário sobre as investigações envolvendo o filho do presidente, Fábio Luís Lula da Silva, em agosto, e a escalada da crise institucional que tomou conta do Supremo Tribunal Federal (STF) — e que, nesta semana, chegou ao Palácio do Planalto após o ministro André Mendonça retirar Andrei Rodrigues da chefia da Polícia Federal — custaram caro a Lula. Nos últimos dias, consolidou-se o empate técnico no segundo turno entre Lula e Flávio Bolsonaro. Algumas casas, inclusive um tracking da campanha petista, chegaram a colocar o candidato do PL numericamente à frente, ainda que por diferenças na casa decimal. Um misto de preocupação, em alguns segmentos, e desalento, em outros, tomou conta da campanha petista. Do lado bolsonarista, o clima era de otimismo. No mercado financeiro, o aumento das chances de vitória de Flávio Bolsonaro também virou assunto. Analistas passaram a apontar que o favoritismo de Lula havia diminuído ou até desaparecido, movimento que ajudou a melhorar os preços de ativos como bolsa e juros. A reação governista se deu em várias frentes. Uma delas partiu do ministro do STF Flávio Dino, que enfrentou o colega André Mendonça e decidiu manter Andrei Rodrigues no comando da PF. Na sequência, uma operação contra o deputado bolsonarista Mario Frias, relacionada ao caso Dark Horse, começou a furar a onda favorável a Flávio. Pressionado pela escalada provocada pelo enfrentamento entre Dino e Mendonça, o presidente do STF, Edson Fachin, resolveu parte da crise ao derrubar as duas liminares e decidir pela permanência de Andrei no cargo. Além disso, marcou para a próxima semana uma sessão para tratar das investigações sobre o Master, incluindo as ainda não explicadas denúncias envolvendo o ministro Alexandre de Moraes. Fachin também determinou a abertura do sigilo de todos os processos. A medida já produziu, nesta sexta-feira, manchetes negativas para Flávio Bolsonaro, oficialmente investigado por sua relação com Vorcaro. Em outro flanco, o governo anunciou medidas para desonerar a gasolina, o etanol e o diesel. O impacto esperado nos preços é pequeno, mas, em uma eleição apertada, qualquer voto conquistado conta. E o preço dos combustíveis tem efeito direto sobre a popularidade presidencial, que vem caindo na contramão do movimento normalmente esperado nos meses que antecedem uma eleição. No QG da campanha petista, a semana foi marcada por reuniões, lavação de roupa suja e movimentos para tentar reanimar a militância e recuperar votos perdidos no último mês e meio. Ao mesmo tempo, cresceu a disposição de reforçar os ataques a Flávio Bolsonaro, dentro da lógica de que a vitória final será definida pelo candidato menos rejeitado. Ao fim de sua pior semana em meses, a campanha de Lula ganhou algum alento, mas sabe que os riscos aumentaram muito. Nesse cenário, já há vozes dentro do partido e do governo defendendo a necessidade de reeditar a ideia de uma frente ampla contra o bolsonarismo, com o discurso de que o grupo representaria uma ameaça à democracia semelhante à de Jair Bolsonaro, preso por tentativa de golpe de Estado. Alguns representantes do partido já fazem movimentos mais concretos nessa direção. O problema é que Lula, ao longo dos mais de três anos e meio de seu atual mandato, pouco dialogou com as forças que votaram nele com o objetivo de “evitar o mal maior”, embora rejeitassem as teses petistas. Parte desse grupo, inclusive, já deixou claro que não pretende votar novamente em Lula. A indefinição aumentou muito. E as próximas semanas prometem forte volatilidade.