A governadora Raquel Lyra (PSD) aparece à frente do ex-prefeito do Recife João Campos (PSB) na corrida pelo Executivo de Pernambuco. É o que mostra pesquisa Datafolha divulgada nesta sexta-feira. Os dados mostram Lyra com 47% das intenções de voto no primeiro turno, enquanto Campos marca 42%. O cenário é de estabilidade, com oscilação positiva para Campos, considerando a margem de erro de três pontos percentuais, na comparação com a pesquisa de agosto. No mês passado, Lyra aparecia com 47% e Campos, com 40%. O levantamento, encomendado pela "Folha de S. Paulo" e pelo grupo Globo, ouviu 1.204 pessoas entre os dias 8 e 11 de setembro em todas as regiões de Pernambuco. O nível de confiança é de 95%. A pesquisa está registrada na Justiça Eleitoral pelo código PE-04411/2026. Troca de acusações A pesquisa ocorre na esteira de trocas de acusações entre as campanhas de Lyra e Campos. Os candidatos acusam os rivais de chefiarem "gabinetes do ódio" para desgastar as candidaturas. É também o primeiro levantamento a repercutir o impacto da divulgação da imagem de um cartaz com referência à morte do marido da governadora colado nas ruas do Recife. O caso veio à tona há pouco mais de uma semana, após a candidata à reeleição se manifestar nas redes sociais. O grupo de Campos, por sua vez, cobrou que o episódio seja investigado pelas autoridades. Como mostrou o GLOBO, a corrida pelo Senado em Pernambuco é motivo de tensão tanto na chapa de Lyra quanto na de Campos. Com a candidata à reeleição na frente nas pesquisas, a busca por aproximação a aliados do grupo político rival, o temor de um escanteio durante a campanha e ações para aumentar ou frear a nacionalização da disputa movimentam os dois lados da disputa estadual. De um lado, Costa investe no diálogo com aliados da governadora, sobretudo na busca por apoio de prefeitos. Já Marília vem atuando nos bastidores para “não dar espaço para passarem a perna” em sua candidatura ao Senado caso Campos não demonstre reação nas pesquisas. Parte do principal clã político de Pernambuco, o filho do ex-governador Eduardo Campos e a neta de Miguel Arraes haviam rompido na eleição à prefeitura da capital em 2020, quando disputaram entre si. Seis anos depois, os primos integram a mesma chapa, em um movimento de reaproximação política, mas não pessoal. Um cenário no qual Marília é eleita e Campos não poderia modificar a relação de forças política dentro da família, o que motiva o temor da candidata ao Senado de ter a postulação desprestigiada internamente. Ela avalia, entretanto, que a capilaridade com lideranças do interior pesa a seu favor, considerando que a base política do primo está concentrada na capital. Interlocutores de Campos negam a existência de atrito com os demais membros da chapa. Do lado de Lyra, a definição da chapa ao Senado foi concluída de última hora. O motivo foi o conflito pela escolha do nome que representaria a federação União-Progressistas. Enquanto o PP defendia o deputado Eduardo da Fonte, o União Brasil pressionou para que o escolhido fosse o ex-prefeito de Petrolina Miguel Coelho. Outro ponto sensível para Lyra é a associação com o deputado bolsonarista Mendonça Filho (PL). O candidato ao Senado tem comparecido a eventos de campanha da governadora e utilizou, na semana passada, uma camisa com a estampa “Raquel Lyra Futebol Clube”. Essa vinculação vem sendo explorada pela campanha adversária, que apresenta Mendonça Filho como uma espécie de terceiro candidato ao Senado da rival. A estratégia de associar a atual ocupante do Palácio do Campo das Princesas ao bolsonarismo visa nacionalizar a campanha. Interlocutores da governadora afirmam que a participação de Mendonça Filho em agendas não tem o aval de Lyra. Eles ressaltam que o bolsonarista não vem subindo com ela nos palanques.