Representante de empresa afirmou fazer acompanhamento das redes do senador antes de apresentar proposta para estratégia de gestão de crise ligada ao dono do Master 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 O senador Flávio Bolsonaro — Foto: Brenno Carvalho/Agência O Globo Um homem que atuou no recrutamento de influenciadores para uma estratégia de comunicação ligada ao banqueiro Daniel Vorcaro afirmou que também fazia um trabalho de monitoramento das redes sociais do senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ). A declaração aparece em uma mensagem obtida pela Polícia Federal no inquérito que investiga o chamado “Projeto DV”, que, segundo os investigadores, foi montado para melhorar a imagem do dono do Banco Master e disseminar críticas à atuação do Banco Central. A referência a Flávio foi feita por André Salvador em uma abordagem ao assessor de Rony Gabriel, influenciador que posteriormente foi convidado a participar do projeto. Segundo a PF, Salvador era representante da empresa de marketing UNLTD Brasil. Na mensagem, enviada em dezembro de 2025, Salvador afirmou que havia encontrado Rony durante o acompanhamento das redes do senador. “Estamos fazendo o monitoramento das redes do Flávio Bolsonaro, encontrei o perfil do Rony nessas publicações feitas", escreveu Salvador, segundo relatório da PF. Ao prestar depoimento, Rony confirmou a abordagem e explicou aos investigadores que costumava interagir com as publicações do hoje candidato à Presidência. — Eu tenho um engajamento muito grande e acabo comentando lá nas redes do Flávio — afirmou. Os documentos não esclarecem quem contratou Salvador para fazer o monitoramento das redes de Flávio, qual era o objetivo do trabalho ou se havia alguma relação profissional entre ele e a equipe do senador. Também não há, no material analisado, indicação de que Flávio tenha participado ou tivesse conhecimento do Projeto DV. A campanha de Flávio foi procurada para esclarecer se o senador ou sua equipe contrataram o monitoramento citado por Salvador, se mantiveram alguma relação profissional com ele ou com a UNLTD Brasil e se tiveram conhecimento do Projeto DV. Até a publicação desta reportagem, não houve resposta. Na conversa citada pela PF, Salvador separou o monitoramento das redes de Flávio do trabalho que pretendia apresentar a Rony. Na sequência, Salvador disse que fazia um trabalho de “gerenciamento de reputação e gestão de crise para um executivo grande” e que vinha contratando perfis para participar de uma disputa política. “Estamos fazendo um trabalho de gerenciamento de reputação e gestão de crise para um executivo grande e temos contratado perfis que se posicionam para nos ajudar nessa disputa política que estamos travando contra o sistema", afirmou. Salvador acrescentou que se tratava de um “caso de repercussão nacional” e mencionou “gente grande, esquerda, sistema e centrão envolvidos”. Em seguida, pediu uma conversa por telefone. Segundo o depoimento de Rony, naquele primeiro momento ainda não estava claro para ele do que se tratava. Salvador afirmou que mais informações só poderiam ser fornecidas após a assinatura de um acordo de confidencialidade. O documento enviado ao assessor do influenciador foi firmado com a UNLTD Network Brasil e identificava a estratégia como “Projeto DV”. O acordo determinava sigilo sobre informações relacionadas ao projeto, incluindo “estratégias de comunicação, narrativa, reputação, posicionamento e influência”, além de análises, planos e informações jurídicas, institucionais e financeiras. Rony contou à PF que chamou sua atenção o valor previsto para o descumprimento do acordo de confidencialidade: R$ 800 mil. Questionado sobre quanto receberia para participar do projeto, afirmou que recusou a proposta antes de chegar à negociação de um valor específico, mas que Salvador havia indicado que a remuneração poderia chegar à casa dos milhões. — Ele deixou claro que se tratava de valores milionários, mas eu não cheguei na parte de saber valor, negociar valor, negociar contrato. Eu fiz a recusa antes — disse. Conteúdos contra atuação do BC Após a assinatura do termo de confidencialidade, Rony participou de uma reunião em que, segundo seu depoimento, recebeu como referência conteúdos de outros influenciadores que questionavam a atuação do Banco Central no caso Master e mencionavam movimentos do Tribunal de Contas da União (TCU). Rony recusou a proposta. À PF, afirmou que depois identificou nas redes conteúdos semelhantes aos apresentados durante a reunião. O Projeto DV é alvo de um inquérito próprio da PF, aberto a partir das investigações do caso Master. A apuração investiga se a estratégia de comunicação foi usada para questionar a liquidação do banco e tentar influenciar processos relacionados ao caso.
Recrutador de influenciadores para Vorcaro disse monitorar redes de Flávio Bolsonaro, mostra mensagem obtida pela PF
Representante de empresa afirmou fazer acompanhamento das redes do senador antes de apresentar proposta para estratégia de gestão de crise ligada ao dono do Master







