0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Consultorias avaliam que conta de luz deve subir entre 5,1% e 7,95% em 2026, acima da projeção do IPCA — Foto: Brenno Carvalho/O Globo A deflação de agosto, de 0,32%, teve como principal fator o bônus de Itaipu, que reduziu os preços da energia elétrica em todo o país. Mas o resultado não pode ser explicado apenas por esse efeito. Isso porque quatro dos nove grupos de bens e serviços monitorados pelo IBGE registraram deflação no mês: Habitação, Transportes, Alimentação e bebidas e Comunicação. No acumulado de 12 meses, o índice ficou em 4,22%, dentro de intervalo da meta. Inflação dos alimentos foi de 54,2% no governo Bolsonaro. No governo Lula, de 13,6%. Mas o consumidor não sente alívio Em Habitação, a queda foi de 1,87%, a menor para um mês de agosto desde o Plano Real, puxada principalmente pela energia elétrica residencial, que recuou 7,63%. Mas houve também quedas importantes em outros grupos. Em Transportes, a deflação de 0,86% foi influenciada principalmente pela queda de 13,17% nas passagens aéreas e de 0,91% nos combustíveis, com recuos no etanol, no óleo diesel e na gasolina. Em Alimentação e bebidas, os preços caíram 0,34%, puxados pela Alimentação no domicílio, com deflação de 0,61%. Entre os alimentos, as maiores quedas foram de 19,89% na batata-inglesa, 11,22% na cenoura, 11,07% na cebola, 10,94% no tomate, 4,15% no ovo de galinha e 1,86% no café moído. A alimentação fora do domicílio também desacelerou, de 0,55% para 0,36%. — Não foi só o bônus de Itaipu. Nós tivemos deflação em outros grupos, a média dos núcleos desacelerou e a difusão, quando a gente olha a série com ajuste sazonal, também melhorou. Embora a gente tenha riscos inflacionários importantes no radar, como o El Niño ou essa escalada do preço dos títulos, por ora, no curtíssimo prazo, o cenário inflacionário aqui no Brasil é bom — explica André Galhardo, economista da Análise Econ. Ele salienta que a média dos núcleos de inflação, os núcleos em que o Banco Central tira da conta alguns dos preços mais voláteis, como alimentos e bebidas e combustíveis, por exemplo, subiu 0,23% em agosto, ante 0,26% em julho. — Outra coisa importante: o índice de difusão, que mede a quantidade de produtos que aumentou no mês, subiu na passagem de julho para agosto, de 49,6% para 54,4%. Mas, no ajuste sazonal nessa série, há uma queda de 58,7% para 57,2%, porque, em alguns momentos, tem maior ou menor difusão dependendo da sazonalidade do ano mesmo. Olhando esses dados dessazonalizados, o número também é bom. O Banco Central se reúne na próxima semana, e já é esperada uma redução de 0,25 ponto percentual. Mas, com o resultado da inflação de agosto, salienta André Valério, economista sênior do Inter, o resultado deve permitir que o Copom prossiga com o ciclo de ajustes na Selic. — Para a reunião da próxima semana, não há dúvidas de que o Copom cortará 25 pontos-base novamente, mas esperamos que o Copom mantenha o ritmo pelo restante das reuniões do ano, com a Selic alcançando 13,25% em dezembro.