0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Dark Horse: Delator confirma 7 pagamentos para fundo de advogado de Eduardo Bolsonaro — Foto: Reprodução; Saul Loeb/AFP Na mira da Polícia Federal, o fundo Havengate permaneceu “operacionalmente inerte” por quatro anos, até receber, em fevereiro de 2025, a primeira remessa de U$ 2 milhões que seria destinada para o financiamento de “Dark Horse”, o polêmico filme sobre a trajetória política do ex-presidente Jair Bolsonaro. A constatação está num relatório da Polícia Federal tornado público após o levantamento do sigilo das investigações do caso Master por decisão do ministro André Mendonça, a pedido do presidente da Corte, Edson Fachin. O fundo Havengate, sediado nos Estados Unidos, é administrado pelo advogado de imigração Paulo Calixto, próximo do ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP), e foi usado para o financiamento de “Dark Horse”. Uma das linhas de investigação da PF e da Procuradoria-Geral da República (PGR) é verificar se os repasses também não serviram para financiar o autoexílio de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos. “O fundo permaneceu juridicamente ativo, mas operacionalmente inerte por quase quatro anos, sem qualquer atividade pública registrada — até receber, em 13/02/2025, a primeira remessa de US$ 2.000.000,00 proveniente da ENTRE INVESTIMENTOS para financiamento do filme”, aponta o relatório da PF. “A reativação de um fundo originalmente criado para fins imobiliários, dormente por anos, sem lastro em qualquer operação imobiliária ativa, como veículo de remessas internacionais vinculadas a uma produção cinematográfica, constitui circunstância objetiva que reforça a necessidade de apuração da compatibilidade entre o perfil do veículo financeiro utilizado e a destinação declarada dos recursos”, diz relatório da PF. A PF também apontou que o publicitário Thiago Miranda encaminhou a Vorcaro uma captura de tela de conversa atribuída a Eduardo Bolsonaro “na qual eram apresentadas orientações sobre a forma pela qual os recursos poderiam ser geridos nos Estados Unidos”. Operador de Vorcaro fechou delação Conforme revelado pelo blog nesta semana, o operador do mercado financeiro Antonio Carlos Freixo Júnior, conhecido como “Mineiro”, confirmou à Procuradoria-Geral da República (PGR) em seu acordo de colaboração premiada ter realizado ao longo do ano passado sete transferências bancárias para o fundo Havengate que totalizam US$ 12,3 milhões (cerca de R$ 69 milhões no câmbio da época) a pedido do banqueiro Daniel Vorcaro. Na tarde de terça-feira (8), a defesa de Mineiro teve uma audiência de aproximadamente 20 minutos com um juiz auxiliar do gabinete do relator do caso Master no Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça, para confirmar aspectos do seu acordo de colaboração, como a voluntariedade, a regularidade e a legalidade da negociação. É uma etapa prevista na lei e que antecede a decisão do ministro de homologar o acordo. Além das transferências bancárias para o Havengate, Mineiro relatou aos investigadores ter efetuado uma série de entregas em dinheiro vivo, inclusive em malas, para terceiros indicados por Vorcaro. Mas o delator alegou que não sabia para que finalidade seriam os repasses. As transferências bancárias ao Havengate, em tese, seriam destinadas à produção de “Dark Horse”, mas uma das linhas de investigação da PF e da PGR é verificar se os repasses também não serviram para financiar o autoexílio de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos. O filho 03 de Bolsonaro se mudou para o Texas em fevereiro de 2025. sob a alegação de estar sofrendo perseguição política no Brasil. As parcelas ao Havengate foram efetuadas entre fevereiro e setembro de 2025 – o sétimo pagamento, de US$ 1,66 milhão (cerca de R$ 9 milhões à época), foi revelado pela revista piauí. Sigilo foi levantado às vésperas de julgamento sobre Moraes O material foi tornado público após a decisão desta quinta-feira do relator André Mendonça, que atendeu um pedido do presidente da Corte, Edson Fachin. O levantamento do sigilo ocorre às vésperas da sessão extraordinária convocada por Fachin para terça-feira (15), quando o tribunal deve decidir sobre a validade de um relatório da Polícia Federal sobre as mensagens trocadas entre Daniel Vorcaro e o ministro Alexandre de Moraes. A sessão pode resultar na abertura de uma investigação contra Moraes, algo inédito na história da Corte, que enfrenta neste momento a maior crise institucional de seus 135 anos de História.