0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Ministro Alexandre de Moraes em Sessão Plenária no STF — Foto: Brenno Carvalho / Agência O Globo Uma preocupação tem surgido com frequência nas conversas dos ministros do Supremo Tribunal Federal com interlocutores de dentro e de fora da Corte sobre a sessão que vai avaliar se abre inquérito sobre a relação do ministro Alexandre de Moraes com Daniel Vorcaro. Entre conjecturas sobre como deve ser realizada a sessão e seu impacto sobre a imagem do tribunal, eles têm manifestado o temor de terem sido alvo de relatórios de inteligência da Polícia Federal como os usados por Moraes para acusar André Mendonça de direcionamento político e abuso de autoridade. De acordo com o que disseram à coluna três integrantes do tribunal e um interlocutor que esteve com alguns ministros nos últimos dias, pelo menos três ministros, além de Mendonça, acreditam ter sido de alguma forma objeto de relatórios da inteligência da PF. Outros ainda especulam se o diretor-geral da corporação, Andrei Rodrigues, teria tido acesso a documentos do tipo – e, ainda, se teria repassado as informações a Alexandre de Moraes. “Eles estão tensos e desconfiados, sem saber se não podem vir a ser os próximos alvos caso desagradem algum interesse”, disse o interlocutor que esteve com os ministros. A iniciativa de Gilmar Mendes de propor a retirada dos delegados da PF que hoje atuam em gabinetes do tribunal também teria a ver com esse clima. Gilmar, porém, estaria mais preocupado com uma apuração por parte de Mendonça do que com a aliança entre Andrei e Moraes. Os relatórios apócrifos e sem valor de prova listam uma série de episódios em que Mendonça supostamente teria perguntado especificamente sobre Moraes e sugerido o desmembramento de um inquérito que apura se ACM Neto, candidato ao governo da Bahia pelo União Brasil, e o presidente do partido, Antonio Rueda, atuaram junto a fundos de pensão estaduais e municipais para que comprassem títulos do Master. Os documentos também concluem, por meio de uma análise de cenário, que Mendonça teria interesse de dirigir a investigação do Master contra Davi Alcolumbre, e coloca entre os motivos o apoio do ministro nomeado por Jair Bolsonaro à indicação do advogado-geral da União de Lula, Jorge Messias, para uma vaga no Supremo. Em abril deste ano, Alcolumbre e Alexandre de Moraes, num esforço conjunto com Flávio Bolsonaro, impuseram ao governo uma derrota inédita, derrubando a indicação de Messias por 42 a 34. O conteúdo desses relatórios foi o argumento central de Mendonça para mandar afastar do cargo o diretor-geral da PF, reconduzido nesta quarta-feira ao cargo por Edson Fachin. O presidente do STF deu a Andrei 48 horas para explicar como a existência dos documentos que deveriam ser confidenciais chegou ao conhecimento de Alexandre de Moraes, entre outros detalhes. Até agora não se conhece os argumentos de Andrei, mas o efeito colateral que eles provocaram no Supremo já se fez sentir no colegiado.