Matilde, que marcou época na Zona Oeste e está desativado desde os anos 1990, será revitalizado e transformado em um novo equipamento cultural, conforme projeto da prefeitura 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Cine Matilde, em Bangu, na década de 1960, pouco depois da inauguração — Foto: Marcos Pinto No dia 15 de março de 1963, fazia um calor intenso em Bangu. Nesta data, o bairro da Zona Oeste ganhava o então moderno Cine Matilde, instalado na galeria de mesmo nome na Avenida Ministro Ary Franco. O espaço tinha 1.360 poltronas estofadas, tela oval, pensada para garantir boa visibilidade de diferentes pontos da plateia e um potente sistema de refrigeração central. O idealizador do cinema, o comerciante Antônio Gama da Silva, que batizou o espaço com o nome de sua mulher, só não esperava que a rede elétrica da via não estivesse preparada para tal modernidade. — Como não dava vazão, o jeito foi usar ventiladores e entupir os tubos de ventilação com gelo para ajudar a refrigerar a sala. Depois foi necessário pedir aumento da carga elétrica da rua — conta Leonardo Gama, relembrando a história repassada pelo avô, fundador do cinema. O Matilde, que marcou época na Zona Oeste e está desativado desde os anos 1990, será revitalizado e transformado em um novo equipamento cultural, de acordo com decreto de desapropriação do prefeito Eduardo Cavaliere, publicado na terça-feira. A intenção do município é transformar o espaço em um equipamento cultural multifuncional, com sala de teatro para 250 pessoas, duas salas de cinema, área para exposições e espaço de convivência com bar e restaurante no rooftop. A desapropriação do cinema integra um pacote de medidas, que declara como utilidade pública sete lotes na Rua Silva Cardoso, na Praça da Fé e na Avenida Cônego de Vasconcelos para a implantação do Centro Cultural e Parque Urbano Casa do Silveirinha. Durante o período de seu funcionamento, o Matilde foi um importante ponto de encontro de famílias, jovens e trabalhadores de Bangu e chegou a ser considerado, um dos cinemas mais modernos do Rio. Leonardo lembra que o avô era um sonhador e pensou numa obra de grande porte. Em vez de construir o cinema no primeiro pavimento, preferiu reservar esse espaços para futuras lojas e instalar a sala no pavimento superior. O custo do empreendimento acabou ficando mais alto do que ele imaginava e, com isso, pouco tempo depois teve de repassar o Cine Matilde para a rede Bruni, que depois o vendeu a outros compradores. Ainda menino, Leonardo, que está com 48 anos, era levado por uma tia, em companhia de primos, para assistir as sessões de filmes dos "Trabalhões" Didi, Dedé, Mussum e Zacarias. Na memória do advogado e comerciante Rafael Esteves, também está guardada as exibições do mesmo quarteto em suas idas ao cinema do bairro. Ele chegou a criar um movimento, com outras pessoas ligadas à cultura na região, para reivindicar a revitalização do espaço. —Bangu, na década de 60, tinha muitas famílias tradicionais. Na época, os grande encontros no bairro se davam no cinema, na igreja ou no clube. É preciso reviver isso — diz Rafael, que sonha com um centro de memórias, para ajudar a preservar a história local.
Cinema de Bangu, que já foi um dos mais modernos do Rio, recorreu a improviso para driblar calor do bairro na inauguração
Matilde, que marcou época na Zona Oeste e está desativado desde os anos 1990, será revitalizado e transformado em um novo equipamento cultural, conforme projeto da prefeitura






