Barril avança 39,6% desde o início da guerra; diesel sobe 13%, e gasolina, 3,6% 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Caminhão abastece com diesel em meio à crise internacional do preço do petróleo — Foto: Marcelo Theobald/Agência O Globo Com uma alta de 3,36% ontem, a US$ 101,21 o barril, o petróleo do tipo Brent, referência internacional, acumula alta de 39,6% desde o início da guerra dos EUA e de Israel contra o Irã, no fim de fevereiro, mas as medidas de compensação do governo, como desonerações e subvenções, ajudaram a manter os preços dos combustíveis mais comportados. No mesmo período, o diesel S10 acumula alta de 13%, com preço médio de R$ 6,88 nos postos, registrado na semana passada pela Agência Nacional do Petróleo (ANP). Já a gasolina está custando, na média nacional, R$ 6,51 por litro, 3,6% acima de antes da guerra. Segundo Edmar de Almeida, professor do Instituto de Energia da PUC-Rio, sempre que há escalada do preço do barril, há uma conta a se pagar sobre os derivados. Quando as cotações dispararam entre 2010 e 2014, a fatura ficou com a Petrobras, sob o governo Dilma Rousseff. Agora, ficou com o Tesouro. — A conta acaba sendo repassada para alguém. Antigamente, era o acionista da Petrobras. Agora, é todo e qualquer contribuinte. Em parte, o governo alega que o aumento do petróleo aumenta a arrecadação (de tributos) e que o Orçamento não previa esse aumento — disse Almeida, que vê “peso eleitoral” na decisão de aumentar os subsídios nos combustíveis agora. Pedro Rodrigues, sócio da consultoria CBIE, especializada no setor petrolífero, concordou que a decisão tem viés político. Mas o consultor ponderou que, apesar dos subsídios, os preços são determinados livremente: — O governo não está tentando arrefecer a volatilidade, mas baixar o preço. Se o preço não cair como esperado, entra também uma questão política, de (dizer) “eu fiz a minha parte, o problema agora é a distribuidora, é o posto”. Os subsídios contribuíram para a desaceleração da inflação. Segundo André Braz, coordenador dos Índices de Preços do Instituto Brasileiro de Economia (FGV Ibre), a cada 1% de aumento da gasolina nas bombas, há um impacto de 0,05 ponto percentual no IPCA, índice oficial de preços. Já o encarecimento do diesel tem efeito indireto. — O aumento do diesel encarece a geração de energia, o frete rodoviário e o transporte público urbano. O efeito indireto é o problema — disse Braz. Relatório do Itaú BBA mostra que os preços da gasolina praticados pela Petrobras estão 37% abaixo do mercado internacional, enquanto o diesel está 21% mais barato aqui do que no exterior, sem contar os subsídios. A tendência desse diferencial tem sido de alta nas últimas semanas, conforme o preço do barril do tipo Brent tem avançado. No fim de abril, o diferencial chegou a 41%. Já o etanol tem ido no sentido contrário. Desde o fim de fevereiro, o álcool registra queda de 14,7%, segundo a ANP. O valor médio nacional nos postos é de R$ 3,95, cerca de 60% do valor do litro da gasolina comum. Especialistas afirmam que o etanol é mais vantajoso para motores flex quando é vendido em patamares de até 70% do litro da gasolina.
Medidas de compensação do governo ajudaram a segurar os preços dos combustíveis diante da disparada do petróleo
Barril avança 39,6% desde o início da guerra; diesel sobe 13%, e gasolina, 3,6%







