Temperatura baixa faz do país um dos mais eficientes para essa infraestrutura, já que equipamentos costumam gastar muita água para resfriamento 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Google está investindo US$ 15,1 bi em infraestrutura de inteligência artificial na Finlândia — Foto: Alex Kraus/Bloomberg O Google, da Alphabet., está investindo € 13 bilhões (US$ 15,1 bilhões ou R$ 77,2 bilhões) em infraestrutura de inteligência artificial na Finlândia, seu maior investimento na Europa, em um momento em que o clima frio do país nórdico e sua energia livre de carbono o tornam um polo de atração para empresas que constroem data centers. Nos próximos dois anos, o Google construirá três novos data centers e ampliará uma instalação existente na cidade de Hamina, no sudeste do país, informou a empresa em um comunicado nesta quarta-feira. O anúncio fez as ações de beneficiárias locais, como Fortum Oyj e Nokia Oyj, subirem e impulsionou uma alta em todo o mercado acionário finlandês. A iniciativa do Google faz parte de uma ampla expansão da capacidade computacional no país nórdico, somando-se a um volume estimado de € 43 bilhões (US$ 49,9 bilhões ou R$ 255 bilhões) em projetos que estão sendo planejados ou executados. A empresa tem 15 anos de experiência operando fazendas de servidores no país nórdico, onde os data centers, em geral, funcionam de maneira mais sustentável do que na maioria dos outros lugares do planeta. Os data centers na Finlândia utilizam menos água e mais energia renovável do que em qualquer outro país da União Europeia e ocupam o segundo lugar em eficiência no uso de energia e na capacidade de reutilizá-la, segundo um relatório de 2025 encomendado pelo braço executivo do bloco, que, pela primeira vez, mapeou a sustentabilidade da indústria de data centers. O investimento na Finlândia faz parte dos esforços da Alphabet para acelerar a expansão de sua capacidade de computação para inteligência artificial. Em julho, a gigante do Vale do Silício elevou sua previsão de gastos de capital para até US$ 205 bilhões neste ano, em uma corrida com seus rivais para dominar o cenário da IA. Os projetos na Finlândia não provocaram uma reação pública tão intensa quanto alguns dos locais propostos nos EUA ou em outras partes da Europa, onde preocupações com o uso de terras e recursos naturais, além dos custos de energia, atrasaram ou inviabilizaram projetos. Nos EUA, a contribuição dos data centers para o aumento das contas de eletricidade está se tornando uma questão importante nas próximas eleições de meio de mandato. Cerca de 96% da eletricidade gerada no país nórdico é proveniente de fontes livres de carbono, principalmente uma combinação de energia nuclear e renovável. O clima da Finlândia significa que é necessário menos resfriamento e, muitas vezes, o próprio ar é suficiente para realizar o trabalho. Muitos data centers são construídos com sistemas de circuito fechado que reduzem o desperdício de água, enquanto a unidade do Google em Hamina utiliza água do mar para o resfriamento. Além disso, o calor gerado pelos servidores pode ser capturado e utilizado para aquecer residências em áreas que contam com sistemas de aquecimento urbano. A Microsoft está construindo um projeto de data center desse tipo na região metropolitana de Helsinque que, quando concluído, deverá aquecer cerca de 40% das residências de Espoo, a segunda maior cidade da Finlândia. Isso representa aproximadamente 100 mil residências. Para a Finlândia, o investimento do Google representa um importante impulso em um momento em que o país luta para reativar seu crescimento econômico. O país, que é o membro mais ao norte da zona do euro, vem enfrentando uma demanda fraca, o colapso do comércio com a vizinha Rússia e os efeitos do aperto fiscal destinado a colocar as contas públicas sob controle. A taxa de desemprego ultrapassou 10%, o nível mais alto da União Europeia. Outras empresas que estão construindo, operando ou planejando data centers na Finlândia incluem Nscale, AtNorth Holding, Pure Data Centres Group, Nebius Group, DayOne Data Centers e Polarnode. Há tantos projetos que o governo está planejando uma lei que obrigaria os operadores a registrar seus data centers, para garantir que as autoridades consigam acompanhar todos eles. O anúncio de quarta-feira impulsionou as empresas locais que serão beneficiadas pelo projeto. O índice OMX Helsinki subiu até 1,6%, enquanto o índice europeu Stoxx 600 recuou 1,5%. O Google estima que os projetos empregarão 16 mil trabalhadores da construção civil, impulsionando as ações das empresas de infraestrutura listadas na Nasdaq Helsinki. As ações da Fortum, que venderá ao Google metade da produção de sua usina nuclear de Loviisa, subiram mais de 14%, a maior alta em quase quatro anos. A Nokia, fornecedora de infraestrutura de redes, avançou até 6%, enquanto a operadora de telecomunicações Elisa Oyj subiu até 2,7%. As empresas fornecerão a conectividade necessária para os novos data centers. Investimentos em energia Os novos data centers serão construídos em Kajaani, Muhos e Vaala, na região norte do país, onde o Google já havia adquirido terrenos. Os locais foram escolhidos para aproveitar a infraestrutura de rede elétrica já existente, informou a empresa. "Essas localidades, situadas em pontos estratégicos de uma rede elétrica robusta, ajudam todo o sistema de eletricidade e garantem um desenvolvimento economicamente eficiente da rede", afirmou Asta Sihvonen-Punkka, presidente-executiva da operadora do sistema de transmissão Fingrid Oyj, no comunicado. O Google informou que está ampliando a infraestrutura energética que dará suporte aos projetos, por meio de novos contratos de energia eólica e de um sistema de baterias de 94 megawatts no local de Kajaani, para ajudar a equilibrar a rede elétrica. Os data centers contarão com infraestrutura preparada para a recuperação de calor. A Fortum também anunciou um contrato de compra de energia com o Google, com duração de 22 anos, abrangendo o período de extensão da vida útil da usina de Loviisa. De 2030 a 2049, o acordo corresponderá a 50% da capacidade da usina, que possui dois reatores, informou a Fortum.