Mike Huckabee classificou colonos israelenses que praticam violência contra palestinos como 'terroristas', embora Washington não tenha criticado o governo de Benjamin Netanyahu pelas ações hostis 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 O embaixador dos EUA em Israel, Mike Huckabee, participa de uma entrevista coletiva após visitar a Cisjordânia em meio ao aumento da violência de colonos israelenses — Foto: REUTERS/Ammar Awad O embaixador dos Estados Unidos em Israel, Mike Huckabee, reuniu-se no sábado com palestino-americanos, incluindo parentes de cidadãos dos EUA mortos durante ataques de colonos, na cidade palestina Turmus Ayya, na Cisjordânia ocupada. A região tem sido alvo de violência de colonos israelenses. O governo de Israel condenou a violência de colonos, embora os responsáveis raramente sejam presos e, com menos frequência ainda, processados. Washington não criticou o governo do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu pela violência, embora tenha pedido que os responsáveis sejam processados, e Huckabee os tenha classificado como terroristas. Huckabee descreveu como construtiva sua reunião em Turmus Ayya, onde a maioria dos moradores palestinos é formada por cidadãos americanos. Embora Huckabee, pastor batista e apoiador de longa data dos assentamentos israelenses, já tenha pedido que colonos violentos sejam processados, ele também afirma acreditar que eles representam uma minoria da comunidade de colonos, que soma cerca de 750 mil pessoas. Cerca de 3 milhões de palestinos vivem na Cisjordânia, e estima-se que dezenas de milhares sejam cidadãos americanos. Os palestinos na Cisjordânia enfrentam um aumento da violência de colonos, enquanto suas liberdades têm sido cada vez mais restringidas sob a ocupação militar desde que a coalizão de Netanyahu, a mais à direita da história de Israel, chegou ao poder no fim de 2022. Em Turmus Ayya, os palestinos enfrentam o que o prefeito Nawwaf Zaghoul descreveu como ataques constantes de colonos. Cerca de 80% dos moradores da cidade palestina têm cidadania americana, afirmou. Visitas a Shiloh Assentamentos israelenses foram estabelecidos nos arredores da cidade, incluindo Shiloh, que Huckabee visitou duas vezes desde 2025. Huckabee, o primeiro cristão evangélico a servir como embaixador dos EUA em Israel, refere-se à Cisjordânia como Judeia e Samaria, seu nome bíblico, usado pelo governo israelense, mas não adotado pelos Estados Unidos. Huckabee disse a jornalistas em Turmus Ayya que era do interesse do governo israelense tomar medidas contra aqueles que praticam “comportamento criminoso e terrorismo” e afirmou que um “pequeno grupo de saqueadores”, que, segundo ele, somaria algumas centenas de pessoas, estava prejudicando a reputação do país. Ele também disse ter explicado aos palestino-americanos que a embaixada dos EUA não tinha poder nem autoridade para tomar medidas e que poderia apenas tentar exercer influência e chamar atenção para questões que o governo americano acreditava que precisavam ser corrigidas. Em janeiro de 2025, pouco depois de retornar ao poder, o presidente Donald Trump revogou sanções impostas pelo governo Biden contra grupos e indivíduos israelenses de ultradireita ligados aos assentamentos e acusados de envolvimento em atos de violência contra palestinos na Cisjordânia ocupada. Yasser Alkam, palestino-americano e porta-voz do município, discordou da afirmação de Huckabee de que apenas algumas centenas de colonos praticavam atos de violência contra palestinos. Eram milhares, e não centenas, disse. “Os Estados Unidos têm, sim, poder para pressionar Israel a pelo menos prender esses colonos, que são conhecidos pelas autoridades”, disse a jornalistas. “Eles podem identificá-los, um por um, e prendê-los, se quiserem, com a pressão adequada da embaixada e do governo dos Estados Unidos.” Entre os que se reuniram com Huckabee no sábado estava Hadeel Jabara, palestino-americana e mãe de duas crianças pequenas. Seu marido, Omar, residente permanente legal dos Estados Unidos, foi morto quando ele e outras pessoas entraram em confronto com colonos “que promoviam ataques” em Turmus Ayya, em junho de 2023, segundo o grupo israelense de direitos humanos B'Tselem. Embaixador Mike Huckabee conversa com uma moradora de Turmus Ayya, cidade palestina próxima a Ramallah, na Cisjordânia — Foto: REUTERS/Ammar Awad Segundo o B'Tselem, Omar foi baleado no peito por policiais da fronteira israelense que estavam no local. Jabara descreveu a reunião com Huckabee como positiva e acrescentou esperar que o governo dos EUA possa ajudar a proteger os moradores. Ela disse ainda temer pela segurança dos filhos. Pelo menos seis palestino-americanos foram mortos na Cisjordânia, pelo Exército israelense ou por colonos, desde 2024.