Precious Arzuaga e Jennifer Quijano se declararam culpadas por todas as acusações; Sam Nordquist foi mantido em cativeiro durante semanas em um motel no interior de Nova York 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Sam Nordquist, 24 anos, jovem trans assassinado nos Estados Unidos — Foto: Reprodução Duas mulheres foram condenadas à prisão perpétua sem possibilidade de liberdade condicional, nesta terça-feira, pela tortura e morte de Sam Nordquist, um homem transgênero de 24 anos mantido em cativeiro durante semanas em um motel no interior do estado de Nova York. Precious Arzuaga, de 40 anos, e Jennifer Quijano, de 32, já tinham se declarado culpadas por todas as acusações apresentadas contra elas, incluindo homicídio, sequestro, conspiração e ocultação de cadáver. Arzuaga e Quijano fazem parte de um grupo de sete pessoas denunciadas em conexão com a morte de Nordquist, ocorrida em fevereiro de 2025. Outros dois réus se declararam culpados e ainda aguardam a definição das penas. Os três restantes, entre eles Thomas Eaves, de 22 anos, filho de Arzuaga, devem ser julgados no próximo ano. Precious Arzuaga é apontada como líder Os promotores apontaram Arzuaga como líder do grupo. Ela morava com dois filhos pequenos em um motel às margens de uma estrada na região de Finger Lakes, onde Nordquist permaneceu preso durante semanas e sofreu as agressões que resultaram em sua morte. Segundo as autoridades, os dois filhos de Arzuaga, uma menina de 12 anos e um menino de 7, foram obrigados a participar das torturas. Antes de anunciar a sentença, a juíza Kristina A. Karle, do Tribunal do Condado de Ontario, determinou que Arzuaga assinasse medidas protetivas que a impedem de ver os filhos pelo resto da vida. Durante a audiência, Karle questionou a condenada: — Não sei o que existe nesse seu coração para ser capaz de fazer esse tipo de coisa, mas também de conseguir envolver outras seis pessoas, uma delas seu filho? A magistrada acrescentou: — Sam sentiu dor por dias e semanas a fio, e você poderia ter colocado fim a isso. Em seguida, afirmou: — Era alguém que era bom. Tudo o que você não é. Como Nordquist conheceu Arzuaga Em setembro de 2024, Nordquist viajou de sua casa em Minnesota para o interior do estado de Nova York para encontrar Arzuaga. Os dois haviam desenvolvido sentimentos românticos depois de conversarem pela internet. Nordquist ficou hospedado com Arzuaga e os dois filhos dela no Patty's Lodge, nos arredores de Canandaigua, Nova York. O motel era um dos estabelecimentos utilizados pelo condado de Ontario para abrigar pessoas que recebiam auxílio habitacional. A viagem deveria durar apenas duas semanas, mas a estadia se prolongou por meses. Durante esse período, o contato de Nordquist com a família que permanecia em casa foi ficando cada vez menos frequente e deixou de existir completamente em 1º de janeiro de 2025. Tortura e morte Depois que o contato de Nordquist com a família cessou, segundo as autoridades, ele passou a ser submetido a uma série de torturas. Foi amarrado com fita adesiva, abusado sexualmente, espancado, privado de comida e água e obrigado a ingerir fezes e urina. Nordquist morreu em 2 de fevereiro de 2025 em decorrência dos ferimentos. Seu corpo foi localizado aproximadamente duas semanas depois, envolto em um saco de lixo e deixado em uma área de mata de uma fazenda situada a cerca de 24 quilômetros do motel. O promotor James Nobles afirmou no tribunal: — Sam não fez nada de errado, além de acreditar no amor. Família acompanhou as sentenças Os processos de Arzuaga e Quijano foram conduzidos separadamente, e as duas receberam suas sentenças em procedimentos independentes. Cerca de 80 pessoas acompanharam as audiências, e muitas aplaudiram ao fim de cada procedimento. A mãe de Nordquist, Linda Nordquist, e a irmã dele, Kayla Nordquist, fizeram declarações durante a audiência. Em alguns momentos, as duas precisaram interromper as falas para se recompor e conter as lágrimas. Elas descreveram Sam como uma pessoa amorosa, compassiva e gentil, que acreditava no melhor das outras pessoas e havia se apaixonado por Arzuaga. Linda se dirigiu diretamente a Arzuaga durante sua declaração: — Precious, de todas as pessoas envolvidas neste caso, você sabia exatamente por que Sam veio para cá. Ela continuou: — Ele confiava em você. Acreditava que você se importava com ele. Linda também afirmou: — Você usou a confiança e a vulnerabilidade dele para atraí-lo para o pesadelo que acabou com sua vida. Arzuaga estava sob custódia no condado vizinho de Monroe. Ela compareceu ao tribunal algemada e vestindo um macacão vinho fornecido pela prisão. Seus cabelos estavam presos em duas tranças. Durante as declarações da mãe e da irmã de Nordquist, Arzuaga abaixou a cabeça e chorou. Debate sobre crime de ódio Os detalhes do caso receberam ampla cobertura da imprensa nos Estados Unidos. Na comunidade LGBTQIAPN+, houve manifestações de perplexidade pelo fato de os promotores não terem classificado o caso como crime de ódio. Os promotores afirmaram que os atos cometidos eram “maiores do que um crime de ódio”. Segundo a acusação, cada um dos réus teria sido motivado por uma combinação de diferentes fatores. O processo contra Jennifer Quijano, conhecida como Brooklyn, foi conduzido pela promotora-assistente Sara Van Strydonck. Quijano mantinha com Arzuaga um relacionamento amoroso de forma intermitente. Durante a audiência de sentença, Van Strydonck afirmou que o ciúme foi uma das motivações de Quijano. — Isso não tem a ver com Sam ser transgênero ou com Precious mandar Jennifer fazer alguma coisa. A promotora acrescentou: — É que Sam tinha a atenção de Precious, e ela o odiava por isso. Acusadas pediram 'desculpas' Arzuaga e Quijano fizeram declarações ao tribunal, pediram desculpas à família de Nordquist, reconheceram sua participação na morte dele e afirmaram que aceitariam as punições determinadas pela Justiça. Depois das sentenças, do lado de fora do tribunal, Kayla Nordquist afirmou que duvidava da sinceridade dos pedidos de desculpas feitos pelas duas mulheres. Ela também contou que precisou lutar contra o impulso de se vingar de Arzuaga enquanto estava dentro do tribunal. — Foi difícil estar ao lado do diabo e não me transformar em um demônio.
Duas mulheres são condenadas à prisão perpétua por tortura e morte de homem trans nos EUA
Precious Arzuaga e Jennifer Quijano se declararam culpadas por todas as acusações; Sam Nordquist foi mantido em cativeiro durante semanas em um motel no interior de Nova York









