Crescimento consistente, controle da inadimplência e uso estratégico da tecnologia estão entre os fatores que levaram o banco ao título 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Funcionários do Itaú: equipes afiadas e tecnologia deixaram o gigante mais ágil — Foto: Julio Bittencourt/Valor O lucro do Itaú Unibanco saltou 13% em 2025 e segue em ritmo forte neste ano, com avanço de 8% no segundo trimestre. O banco ampliou sua carteira de crédito em 6% no ano passado, sem permitir que a inadimplência aumentasse. Neste ano, vem repetindo o feito, com expansão de quase 10% na carteira no segundo trimestre em relação ao mesmo período em 2025 e, novamente, com inadimplência estável, mesmo enquanto aumenta de forma preocupante no país a parcela de empresas e famílias com suas contas e dívidas em atraso. Resultados como esses mostram a capacidade do Itaú de sustentar forte crescimento com alta qualidade — o que leva o banco a ser escolhido como a Empresa de Valor 2026 na pesquisa Valor 1000, amparada na metodologia desenvolvida com o Centro de Estudos em Finanças da FGV/SP e a Serasa Experian, e também no crivo de especialistas em ESG participantes da análise. O presidente do Itaú, Milton Maluhy Filho, atribui o desempenho do banco à equipe comprometida e qualificada, apoiada num tripé formado por disciplina analítica, concessão responsável de crédito e uso prático da tecnologia. O sucesso do Itaú em combinar alta tecnologia, dados de qualidade e processos afinados fez com que o banco, em quatro anos, multiplicasse por 30 sua velocidade na implementação de mudanças relacionadas a produtos e atendimento. Milton Maluhy Filho, CEO do Itaú Unibanco — Foto: Gabriel Reis / Valor “Colocamos o banco centrado no cliente, desenvolvendo soluções e produtos rápidos e ágeis, para que deixe de ser um banco transacional e passe a ser um banco consultivo”, diz Maluhy Filho. A companhia tem desempenho digno de nota também em ESG e, especificamente, na construção da economia de baixo carbono. Atualmente, trata 11 setores como “sensíveis” e, nessas operações, aplica critérios mais rígidos para análise de fatores ambientais, sociais e de governança. O esforço inclui a definição de metas específicas para o crédito em setores como aço, agronegócio, alumínio, carvão, cimento, eletricidade e transportes. Mesmo com o aumento da carteira de crédito, as emissões de carbono (medidas em 62% do total da carteira do banco) caíram 2,2% em relação a 2024 — um exemplo da mudança necessária nos negócios de todos os setores. No discurso de premiação, Maluhy Filho disse acreditar que o mundo vive um período de transformações profundas e que exige cada vez mais relação de confiança. Segundo ele, alcançar esse objetivo demanda ética e construção de longo prazo. “Há algo que nenhuma tecnologia substitui, que é a confiança”, disse o executivo na cerimônia da 26ª edição da premiação, que aconteceu na noite da terça-feira (8) no hotel Unique, em São Paulo. Segundo o executivo, o Brasil tem no contexto atual o desafio de crescer com sustentabilidade. “É por isso que estamos investindo para conseguir resultados de longo prazo. O crescimento de um banco só tem sentido quando se traduz em valor, quando ajudamos as pessoas a construir patrimônio, ou quando ajudamos o país, auxiliando o investidor a direcionar capital para o Brasil.” Para Maluhy Filho, as empresas têm atravessado transformações tecnológicas sem precedentes, com o avanço do uso de tecnologias como inteligência artificial (IA) e ciência de dados. O Itaú, disse, vê essas mudanças com entusiasmo, mas não apenas como atalho para ganhos de eficiência. “Encaramos a oferta de crédito e nossas outras soluções financeiras como ferramentas para fomentar o desenvolvimento do país”, disse. “O que nos interessa é gerar valor para o cliente, personalizando a experiência e tomando as melhores decisões”, acrescentou. Na ocasião, o presidente do banco ainda disse que não acredita na “falsa escolha” entre resultado e responsabilidade. “Em longo prazo, empresas verdadeiramente fortes precisam entregar os dois", completou o executivo.