Publicação do presidente americano mostra a bandeira dos EUA sobreposta a países como Islândia, Groenlândia, Canadá e México; governo islandês classificou a imagem como inadequada 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Primeira-ministra da Islândia, Kristrun Frostadottir — Foto: Halldor Kolbeins/ AFP Um dia após convocar o embaixador dos Estados Unidos para uma cobrança formal, o governo da Islândia condenou nesta terça-feira uma publicação de Donald Trump na rede Truth Social, na qual o presidente americano sobrepõe a bandeira dos EUA aos territórios da Islândia, Groenlândia, Canadá, México e de países do Caribe. — É um insulto aos islandeses, canadenses e groenlandeses. Não há nada de engraçado ou normal em zombar da soberania dos Estados — disse a primeira-ministra da Islândia, Kristrun Frostadottir, referindo-se à publicação feita por Trump na segunda-feira, que não continha nenhum comentário escrito. Donald Trump publicou o mapa no começo da tarde desta segunda-feira — Foto: Reprodução/Truth Social/ @realDonaldTrump Os islandeses têm demonstrado cautela em relação a Trump desde que ele ameaçou a Groenlândia, seu vizinho mais próximo. Agora, a publicação nas redes sociais parece representar uma escalada significativa na retórica, afirmou Eirikur Bergmann, professor de política da Universidade de Bifrost, na Islândia. — Os islandeses estão acostumados a olhar para os EUA como o defensor da Islândia. Agora, nosso protetor se tornou nosso intimidador — disse ele. A embaixada americana em Reykjavik se recusou a comentar a publicação ou a reação da Islândia, e a Casa Branca não respondeu imediatamente a um pedido de comentário. A publicação de Trump testa a determinação da Islândia pouco mais de uma semana depois de o país nórdico ter votado contra a abertura de negociações para uma possível adesão à União Europeia. A votação dividiu fortemente a opinião pública, enquanto muitos dos 400 mil habitantes da Islândia sentiam que estavam diante de um momento decisivo. Muitos disseram que a votação se resumiu a questões sobre como proteger sua estabilidade e soberania. Alguns islandeses que queriam explorar a possibilidade de adesão viam o bloco como um potencial protetor em um mundo no qual superpotências disputam influência no Ártico e Trump abala alianças internacionais. A Islândia, único membro da Otan sem forças militares próprias, depende da aliança para sua proteção. E os comentários agressivos de Trump sobre a Groenlândia alarmaram muitos islandeses. Eleitores islandeses que queriam explorar negociações com a União Europeia disseram em entrevistas que ficaram chocados quando Trump confundiu repetidamente a Islândia com a Groenlândia em um importante discurso em janeiro. Muitos também ficaram ofendidos com relatos de que Billy Long, escolhido por Trump para ser o novo embaixador americano, brincou em particular que a Islândia poderia se tornar o 52º estado. Long pediu desculpas. Mas, no fim do mês passado, esses eleitores foram derrotados pelos islandeses que consideravam melhor para o país permanecer fora do bloco. Agora, segundo o professor Bergmann, a decisão da Islândia de seguir sozinha está aumentando a ansiedade nacional. — A Islândia não tem mais as mesmas opções de antes de correr para os braços de Bruxelas como resposta a uma intimidação como essa — afirmou. Em uma demonstração de soberania e indignação, o governo islandês está reagindo de forma contundente a Trump. Thorgerdur Katrin Gunnarsdottir, ministra das Relações Exteriores, convocou Long para expressar o que seu ministério chamou de uma — mensagem clara de que a imagem era totalmente inadequada. O ministério não disponibilizou Gunnarsdottir para uma entrevista. Gunnarsdottir disse a repórteres que autoridades do governo Trump haviam lhe oferecido repetidamente um conselho sobre o chefe: —Talvez não devêssemos levar o atual presidente dos EUA ao pé da letra, mas deveríamos levá-lo a sério — afirmou que lhe disseram. Essa publicação, segundo ela, ultrapassou um limite. — Na minha opinião, isso não é uma piada. E, se isso deveria ser uma piada, é uma péssima piada— disse.
Islândia convoca embaixador dos EUA após mapa provocativo de Trump
Publicação do presidente americano mostra a bandeira dos EUA sobreposta a países como Islândia, Groenlândia, Canadá e México; governo islandês classificou a imagem como inadequada










